Lei de Ohm: O Fundamento Essencial da Eletricidade Moderna
Entender a Lei de Ohm é o primeiro passo para qualquer entusiasta ou profissional que deseja dominar a eletrônica e a eletrotécnica.
Eu sempre costumo dizer que, sem este conceito, estaríamos tateando no escuro ao projetar qualquer circuito, desde um simples LED até sistemas complexos de transmissão em Radiofrequência.
A Lei de Ohm estabelece que a corrente elétrica que circula por um condutor é diretamente proporcional à tensão aplicada e inversamente proporcional à resistência do material.
Em termos práticos, se aumentamos a pressão elétrica (tensão), a tendência é que mais elétrons fluam, desde que a resistência permaneça constante.
Neste artigo, nós vamos explorar a física por trás dessa descoberta de Georg Simon Ohm, como aplicar as fórmulas no seu dia a dia e por que este conhecimento é a base de toda a engenharia elétrica que conhecemos.
Entendendo a Proporcionalidade entre Corrente e Tensão
A grande observação de Georg Simon Ohm foi perceber que a cada diferença de potencial estabelecida em um componente, correspondia uma intensidade de corrente específica.
Ele concluiu que essas grandezas caminham juntas: se você dobra a tensão em um resistor ideal, a corrente também dobrará.
Essa relação não é aleatória; ela depende da natureza dos átomos que compõem o condutor.
A resistência, representada pela letra R, é a medida da oposição que esses átomos oferecem à passagem dos elétrons.
Quanto mais colisões os elétrons sofrem no caminho, maior é a resistência e menor será a corrente para uma mesma tensão.
Eu vejo muitos iniciantes ignorarem essa base teórica, mas é aqui que se diferencia um hobbista de um verdadeiro projetista.
Compreender a física do movimento das cargas é o que permite prever o comportamento de circuitos sob diferentes condições de operação.
A Fórmula Fundamental da Eletricidade
Embora a matemática possa assustar alguns, na eletrônica nós a utilizamos como uma ferramenta de precisão. A expressão matemática da Lei de Ohm é elegante e poderosa em sua simplicidade.
Para determinar o valor da tensão (V), utilizamos:V = R * I
V é a Diferença de Potencial (Tensão), medida em Volts (V).
R é a Resistência Elétrica, medida em Ohms (?).
I é a Intensidade da Corrente, medida em Ampères (A).
A partir desta base, podemos derivar outras duas variações essenciais para o diagnóstico de circuitos:
Para encontrar a corrente: I = V / R
Para encontrar a resistência: R = V / I

A Física dos Materiais e a Resistência
Nem todos os materiais obedecem à Lei de Ohm de forma linear. Aqueles que o fazem são chamados de condutores ôhmicos.
Neles, a resistência permanece constante independentemente da tensão aplicada, resultando em um gráfico de linha reta.
Em componentes como diodos e transistores, a relação é diferente.
No entanto, para a vasta maioria dos cálculos de dimensionamento de cabos, resistores de polarização e fontes de alimentação, a linearidade da Lei de Ohm é a nossa bússola.
A resistência depende de fatores como a resistividade do material, o comprimento do condutor, a área da seção transversal e a temperatura.
Nós do Ibytes Brasil sempre enfatizamos que o calor é um fator crítico.
Conforme um condutor esquenta, a agitação atômica aumenta, o que geralmente eleva a resistência e altera os parâmetros de corrente projetados inicialmente.
Aplicações Reais no Laboratório de Eletrônica
No meu dia a dia com projetos de RF e sistemas de transmissão, a Lei de Ohm é aplicada constantemente.
Se eu preciso alimentar um circuito de 5V usando uma fonte de 12V, é a Lei de Ohm que me diz exatamente qual o valor do resistor de queda necessário para não queimar os componentes.
Outra aplicação vital é no teste de fontes. Ao conhecer a tensão de saída e medir a corrente consumida por uma carga, posso calcular a resistência interna e a eficiência do sistema.
Sem esses cálculos, estaríamos apenas “tentando a sorte” com o multímetro.
Para aprofundar seus conhecimentos em componentes específicos, sugiro a leitura dos nossos tópicos sobre:
O funcionamento dos Semicondutores e a condução elétrica.
Como utilizar o Multímetro Digital para medições de precisão.
Se você prefere visualizar esses conceitos na bancada, eu convido você a conhecer o Canal Ibytes Brasil no YouTube.
Lá, nós transformamos essa teoria em prática, mostrando medições reais e projetos que utilizam a Lei de Ohm para garantir estabilidade e performance.
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No canal, você encontrará vídeos dedicados à eletrônica analógica onde detalhamos o uso de resistores em série e paralelo, aplicando cada uma das variações da fórmula de Ohm para resolver problemas reais de engenharia.
Vantagens e Limitações do Modelo de Ohm
A principal vantagem da Lei de Ohm é a previsibilidade. Ela permite que engenheiros projetem infraestruturas elétricas inteiras com margens de segurança precisas.
No entanto, é preciso conhecer suas limitações.
A Lei de Ohm não se aplica a materiais supercondutores em certas condições, nem a dispositivos onde a resistência muda drasticamente com a tensão (não-lineares).
Além disso, em circuitos de Corrente Alternada (CA), precisamos expandir esse conceito para a Impedância (Z), que leva em conta a reatância indutiva e capacitiva, embora a lógica central de proporcionalidade permaneça semelhante.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre a Lei de Ohm
O que acontece com a corrente se eu dobrar a resistência?
Se a tensão for mantida constante, a corrente será reduzida pela metade. Isso ocorre porque a corrente é inversamente proporcional à resistência.
Como calcular a resistência se eu só tenho a voltagem e a amperagem?
Basta dividir a tensão (V) pela corrente (I). Use a fórmula R = V / I para obter o valor em Ohms.
Por que meu resistor está esquentando mesmo com o cálculo correto?
A Lei de Ohm lida com grandezas elétricas, mas você também deve considerar a Lei de Joule.
Se a potência dissipada (P = V * I) for maior que a capacidade do resistor (ex: 1/4W), ele irá superaquecer.
Autor: Pedro – Ibytes Brasil
Desenvolvedor de projetos e especialista em Radiofrequência (RF) e eletrônica aplicada.
À frente do canal Ibytes Brasil, dedica-se ao desenvolvimento de sistemas de transmissão,
estudos de SDR (Rádio Definido por Software) e engenharia de circuitos de alta estabilidade.
Atua na disseminação de conhecimento técnico avançado, transformando conceitos complexos de
telecomunicações em projetos práticos e funcionais.

