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Guia de Frequências RF

O Guia Definitivo do Espectro Eletromagnético: Tabela de Frequências e Serviços

Eu recebo constantemente dúvidas de entusiastas e técnicos sobre como o “ar” é dividido.

Muitos acreditam que as ondas de rádio são uma zona livre, mas a verdade física é que o espectro eletromagnético é um recurso finito e extremamente organizado.

Entender a tabela de frequências não é apenas uma curiosidade técnica, é a base para qualquer projeto de Radiofrequência (RF) que pretenda ter eficiência e, acima de tudo, legalidade.

Neste artigo, nós vamos mergulhar na física das radiações não ionizantes e entender por que cada serviço ocupa um “degrau” específico nessa escada invisível que atravessa nossas casas e cidades.

Se você quer saber onde termina o rádio AM e onde começa o sinal do seu GPS, este guia pilar foi feito para você.

A Física por Trás da Divisão do Espectro

Para compreendermos a tabela de frequências, precisamos primeiro olhar para a física da onda.

Uma onda eletromagnética é caracterizada pela sua frequência (f), medida em Hertz (Hz), e pelo seu comprimento de onda (?).

A relação é inversamente proporcional: quanto maior a frequência, menor é o tamanho físico da onda.

Isso explica por que uma antena de rádio AM é gigantesca, enquanto a antena do seu Wi-Fi é minúscula.

V = ? * f

V = Velocidade da luz (aproximadamente 300.000 km/s).
? = Comprimento de onda (distância entre dois picos da onda).
f = Frequência (número de ciclos por segundo).

Na prática, frequências mais baixas tendem a contornar obstáculos e viajar por milhares de quilômetros via propagação ionosférica, enquanto frequências mais altas (como as de micro-ondas) exigem visada direta e comportam-se de forma quase óptica.

Ondas Longas e a Faixa de AM: O Início do Espectro

Poucos sabem, mas antes mesmo das famosas rádios comerciais, existe uma faixa de ondas longas que vai de 350 kHz a 550 kHz.

Historicamente, essa zona era o domínio da marinha mercante.

A física aqui é fascinante: com potências baixíssimas, na ordem de 20 watts, um sinal pode atravessar o planeta dependendo das condições atmosféricas.

Logo acima, temos a faixa de AM comercial (Amplitude Modulada), que opera entre 550 kHz e 1600 kHz.

É uma faixa resiliente, mas muito suscetível a ruídos elétricos de motores e lâmpadas, o que justifica a transição gradual de muitos serviços para frequências mais altas e limpas.

Ondas Curtas e a Comunicação Global

Entre o final do AM (1600 kHz) e o início da TV (54 MHz), encontramos as Ondas Curtas.

Esta é a “terra de ninguém” organizada, onde residem radioamadores, serviços de navegação marítima e a famosa Faixa do Cidadão (11 metros).

Eu sempre destaco que essa região é o coração do rádio experimental, permitindo comunicações intercontinentais sem o uso de satélites, apenas refletindo sinais na ionosfera.

VHF: Televisão Analógica e o Rádio FM

A faixa de VHF (Very High Frequency) é onde a maioria da população interage com o espectro. Ela é dividida em blocos estratégicos:

  • Canais Baixos de TV (2 ao 4): 54 MHz a 72 MHz.
  • Rádio Astronomia: 72 MHz a 76 MHz (uma zona de silêncio para ouvir o cosmos).
  • Canais de TV (5 e 6): 76 MHz a 88 MHz.
  • FM Comercial: 88 MHz a 108 MHz.
  • Canais Altos de TV (7 ao 13): 174 MHz a 216 MHz.

Interessante notar que, entre o FM e os canais altos de TV, temos a faixa de Rádio-Amador de 2 metros (144-148 MHz) e diversos serviços públicos essenciais, como polícia, bombeiros e controle de tráfego, operando geralmente entre 154 MHz e 160 MHz.

UHF e a Era Digital

Acima dos 470 MHz, entramos na era do UHF (Ultra High Frequency).

Aqui o comprimento de onda é curto o suficiente para permitir antenas de alto ganho e tamanho reduzido.

É nesta faixa, até os 806 MHz, que residem os canais de TV Digital modernos.

Nós também encontramos sistemas de segurança, repetidores de dados e a base da telefonia celular antiga (850/900 MHz).

Conforme subimos para a casa do Gigahertz (GHz), a tecnologia exige cada vez mais precisão nos componentes eletrônicos devido à sensibilidade térmica e capacitiva dos circuitos.

Micro-ondas: GPS, Wi-Fi e Dados de Alta Velocidade

Ao atingirmos 1.5 GHz, entramos no reino das micro-ondas.

O sistema GPS, por exemplo, opera em torno de 1.5 GHz para garantir que o sinal atravesse a atmosfera com o mínimo de refração possível.

Já as faixas de 1.8 GHz a 2.1 GHz são os cavalos de batalha do tráfego de dados móveis (4G/LTE).

Finalmente, chegamos à onipresente faixa de 2.4 GHz.

Esta é uma faixa ISM (Industrial, Scientific, and Medical), o que significa que é uma zona “aberta” para dispositivos como Wi-Fi e Bluetooth.

Por ser aberta, é também a mais poluída eletromagneticamente, o que nos obriga a usar protocolos inteligentes de correção de erro.

Para entender como esses sinais se comportam na prática, recomendo assistir ao nosso vídeo detalhado sobre propagação de ondas no Canal Ibytes Brasil: https://www.youtube.com/@Ibytesbrasil.

Tabela Resumo de Serviços por Frequência

  • 350 – 550 kHz: Navegação Marítima / Ondas Longas.
  • 550 – 1600 kHz: Rádio AM Comercial.
  • 1.6 – 54 MHz: Ondas Curtas, Radioamadorismo, Faixa do Cidadão.
  • 88 – 108 MHz: Rádio FM.
  • 144 – 148 MHz: Radioamador (VHF).
  • 470 – 806 MHz: TV Digital (UHF).
  • 1.5 GHz: GPS (Localização por Satélite).
  • 2.4 GHz / 5.8 GHz: Wi-Fi, Bluetooth e Redes de Dados.

Sugestões de Leitura Interna

Se você se interessa pela parte prática da recepção desses sinais, veja nossos artigos sobre: Antenas Yagi de Alta Performance e Introdução ao Rádio Definido por Software (SDR).

Segurança e Legislação no Uso do Espectro

Como especialista, eu preciso reforçar: o fato de as frequências estarem “no ar” não significa que podem ser usadas para transmissão sem critério.

Dispositivos como jammers ou transmissores piratas são ilegais porque interferem em serviços vitais.

Detectar essas interferências é um campo da engenharia de defesa; nosso foco aqui é sempre o uso científico e autorizado para garantir que o sistema de rádio mundial continue operando sem colisões fatais.

FAQ: Perguntas Frequentes

1. Posso transmitir em qualquer frequência se a potência for baixa?

Não. Mesmo potências baixas podem causar interferências espúrias em receptores sensíveis de serviços de emergência ou aviação. Use sempre faixas homologadas como a de 2.4 GHz para seus projetos DIY.

2. Por que a rádio FM tem som melhor que a AM?

A física explica: o FM (Frequência Modulada) é menos afetado por ruídos de amplitude (estática) e possui uma largura de banda maior, permitindo a transmissão de áudio estéreo com alta fidelidade.

3. O que acontece se duas tecnologias usarem a mesma frequência?

Ocorre o que chamamos de colisão de pacotes ou interferência destrutiva. O sinal resultante torna-se inteligível para ambos os receptores, resultando em perda de dados ou ruído contínuo.

Autor: Pedro – Ibytes Brasil

Desenvolvedor de projetos e especialista em Radiofrequência (RF) e eletrônica aplicada.
À frente do canal Ibytes Brasil, dedica-se ao desenvolvimento de sistemas de transmissão, estudos de SDR (Rádio Definido por Software) e engenharia de circuitos de alta estabilidade.
Atua na disseminação de conhecimento técnico avançado, transformando conceitos complexos de telecomunicações em projetos práticos e funcionais.

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