Antenas Podem Não Resolver


As antenas são partes essenciais dos sistemas de comunicação, não importa a banda e nem a frequência, elas são apenas parte do sistema de comunicação.

Recebo e-mails frequentemente com questionamentos e pedidos de esquemas para fazer antenas que façam milagres, ou seja, que essas antenas façam algo impossível, como amplificar sinais que não existem no local.

Nas frequências utilizadas pela telefonia celular as coisas ficam mais complicadas ainda, e explico porque: as frequências utilizadas pela telefonia celular dificilmente coincidem com aquelas que são informadas pelas operadoras e pelo próprio sistema gestor, no caso, a anatel.

Vai ter aquele que duvida, mas assim como não há interesse de nenhuma operadora em divulgar as frequências reais de operação, o órgão gestor não tem interesse, pois é realmente complicado esse tema.

Obviamente que não posso escrever exatamente tudo sobre isso, mas posso escrever que as frequências são móveis, ou seja, o celular escolhe a frequência mais adequada, com as melhores condições para a situação do momento.

Ainda acrescento que a recepção é em frequência diferente da frequência de transmissão, as vezes a diferença é de alguns mega-hertz, mas a diferença pode ser de centenas de mega-hertz, depende da tecnologia utilizada, entre outros detalhes.

Não há dúvidas que as antenas são importantes,  e se bem dimensionadas cumprem muito bem o papel de emitir as ondas eletromagnéticas e de capturar as ondas eletromagnéticas, mas as antenas são apenas parte do sistema de comunicação.

Na telefonia celular há muita coisa que muitas pessoas não sabem, uma dessas coisas é que mesmo que um contato telefônico em que as estações estejam separadas por 3.000 quilômetros ou mais, a comunicação não acontece de forma direta.

Isso porque na telefonia celular as regiões são divididas em células, e uma célula se conecta a outra, e essa outra, se conecta a outra, e assim se obtém contatos de longas distâncias.

Para um fácil entendimento, cada célula funciona como uma repetidora de sinal, são repetidoras bidirecionais, ou seja, os sinais tanto vão como vem, e a comunicação se estabelece, em frequências diferentes.

Cada célula tem capacidade para cobrir uma determinada área, de uma maneira simples, nós usuários comuns chamamos essa área de distância em que a antena manda o sinal.

Cada célula não ultrapassa sua área senão pode interferir em outra célula, as coisas são sincronizadas e funcionam perfeitamente, a não ser que uma célula deixe de funcionar como deve.

A cobertura de cada célula é em média de 12 quilômetros quadrados nas cidades e de 40 quilômetros quadrados em média nas áreas rurais ou nas margens das rodovias, conhecendo esses detalhes, fica fácil perceber que uma antena de alto ganho não vai resolver problemas de falta de sinal.

Note que 12 quilômetros quadrados dá 3 quilômetros de uma antena até na outra antena, e para 40 quilômetros quadrados a distância entre as antenas é 10 quilômetros, sendo assim, distâncias muito grandes não farão o enlace por falta de sinal.

Dependendo do tipo de antena a distância em linha reta pode ser bem maior, mas haverá deficiência nas áreas cobertas pelas laterais das antenas, esse tipo de situação é bom para as margens das rodovias e para repetidoras de longo alcance, mas péssimo para as áreas urbanas.

Mesmo porque, a potência das ERBs é apenas o suficiente para emitir o sinal para as áreas previstas para serem cobertas com o sinal, se uma antena com ganho alto for projetada para “puxar o sinal”, se a ERB não tiver a mesma capacidade não haverá conexão.

Soluções para a falta de sinal tem que ser de interesse das operadoras de telefonia, mesmo assim, existem pretensos usuários que procuram por alternativas para conseguir o meio de comunicação com outros locais.

Uma possível solução pode ser a instalação de uma repetidora de sinal, se for feita por um particular, a operadora nada fará, pois vai acabar lucrando sem investir nada.

Outra solução é detectar onde há reflexo de sinal e se dirigir para esse local ou instalar ali um antena ou repetidora de sinal, mas isso envolve um alto custo em deslocamento de profissionais e equipamentos caros como um analisador de espectro.

Enfim, quando a operadora não tem interesse na prestação do serviço em determinada área ou região, o problema da falta de sinal é de difícil solução, mesmo porque, se não tiver sinal para ser amplificado não tem nada para ser amplificado.