O Que Fazem Os Bloqueadores


Antes de escrever sobre bloqueadores de sinal de celular, é preciso deixar claro que os telefones celulares não passam de rádios portáteis e bidirecionais, e, como qualquer tipo de  rádio, o sinal pode ser embaralhado, interrompido ou bloqueado.

Interromper o funcionamento normal de um um telefone celular é o mesmo que impedir qualquer tipo de comunicação via rádio.

Um telefone celular se comunica com a sua rede de serviços através de uma torre de telefonia celular ou uma estação rádio base, o contato entre as estações não acontece só quando há uma chamada, o contato é permanente e em intervalos regulares de tempo.

As torres de telefonia celular são instaladas em pequenas áreas ou células, portanto, as cidades são divididas em células, com as tecnologias empregadas atualmente, a distância entre as células não passa de 5 quilômetros.

Quando o usuário do celular se movimenta  pela cidade, seu sinal é transferido entre diversas células, o celular procura pelo sinal mais forte, não importa qual é a célula e nem a distância, a conexão acontecerá com a célula mais adequada, nesse caso, depende das configurações do aparelho celular.

A configuração a qual me refiro é a opção por GSM. 3G, 4G, LTE, atualmente é possível optar por apenas GSM, nesse caso a conexão é mais lenta mas a conexão é mais estável, se optar por apenas 3G, 4G ou LTE, a conexão é mais rápida, mas devido ao sinal, a velocidade de transferência de dados pode ser até mais lenta do que em apenas GSM, o melhor é deixar no modo automático.

Um aparelho bloqueador na mesma freqüência de rádio que a do telefone celular interrompe a comunicação entre o telefone e a estação rádio base da torre, se a configuração do celular estiver em apenas GSM, é muito mais fácil causar o bloqueio, dependendo do sistema da operadora, apenas um bloco gerador de sinal de radiofrequência pode ser suficiente.

O gerador de sinal de radiofrequência precisa acertar qual a frequência da operadora, cobrir a faixa de frequências com intensidade suficiente para evitar que as estações se comuniquem.

Como as operadoras utilizam aproximadamente 40 MHz em cada banda para uplink e mais 40 MHz em cada banda para downlink, e o celular procura pelo melhor sinal e pela célula mais próxima para se conectar, e se não conseguir, passa a procurar a próxima célula e o próximo sinal, assim fica difícil bloquear o sinal, é preciso saber a frequência utilizada e cobrir aquela parte do espectro com sinal de radiofrequência sujo.

Bloqueando o sinal com a técnica da “sujeira no espectro”, chamamos de ataque de negação de serviço, pois o bloqueador de sinal nega o serviço no espectro de rádio utilizado pelos  usuários de telefones celulares dentro da área atingida pelo aparelho bloqueador.

O bloqueio do sinal de um telefone celular é feito através da transmissão de um sinal de radiofrequência, embutindo no sinal de radiofrequência um ruído branco.

O sinal de radiofrequência deve ser na mesma freqüência de recepção do celular, e o sinal gerado e “jogado” no espectro deve ter potência suficiente para que os dois sinais se cancelem.

Os telefones celulares são projetados para aumentar a sensibilidade de recepção e a potência  potência se detectarem interferências, de forma que o bloqueador de sinal precisa reconhecer e compensar o aumento de potência que vem do telefone.

Os telefones celulares são aparelhos de comunicação bidirecionais completos e complexos, isto significa que eles usam duas frequências separadas, uma para falar e outra para ouvir, simultaneamente.

Existem bloqueadores de sinal que afetam apenas uma das freqüências usadas pelos celulares, mas ainda assim o bloqueio ocorre em ambas as direções, pois quando recebe apenas uma das freqüências, o aparelho telefônico interpreta que o serviço não está funcionando.

Existem bloqueadores que bloqueiam apenas uma faixa de frequências, é fácil identificar isso, pois apenas uma antena é vista num bloqueador de uma banda.

Bloqueadores de várias bandas tem várias antenas, uma antena para cada banda ou até uma antena para cada tecnologia, pois não é simplesmente gerando um sinal e enviando para o espectro que será obtido o bloqueio, várias tecnologias utilizam uma espécie de sub-tom, e nesse caso, toda a portadora de radiofrequência que não conter o subtom é ignorada, inclusive os sinais que tem como objetivo o bloqueio de sinal.

Com sinais de radiofrequência sujos em várias bandas e em seus respectivos grupos de frequências, desde que essas bandas e grupos coincidam com as frequências utilizadas pelas operadoras de telefonia celular é possível o bloqueio de sinal.

Se uma célula da tecnologia GSM estiver “suja” o sistema não percorre todo o grupo de frequências dessa banda, se a configuração do telefone estiver configurada para várias tecnologias (tipos de redes) o celular irá tentar a comunicação com a torre em todas as tecnologias disponíveis no aparelho e que estejam disponíveis na região onde a operadora presta o serviço.

E o celular vai utilizar a estação da célula e do tipo de rede que o sinal estiver melhor, mas se o bloqueador de sinal cobrir todas as frequências e tipos de redes, todas frequências são bloqueadas.

Para bloquear o sinal de um telefone celular, tudo o que é preciso é um aparelho que transmita na(s) freqüência)s) correta(s), na(s) exata(s) frequência(s) que  o celular ocupa ou pretende ocupar, simples assim.

Mesmo que os sistemas de celulares diferentes processam os sinais de uma forma diferente, todas as redes de telefone celular usam sinais de rádio que podem ser interrompidos.

O GSM é sistema o padrão usado em celulares digitais e sistemas baseados no PCS (Personal Communications Services), opera entre as bandas de 900 MHz e 1.800 MHz na Europa e na Ásia, e em 1.900 MHz nos EUA.

No Brasil as informações das operadoras são desencontradas, as frequências que são divulgadas  não conferem com a realidade, é possível que seja para evitar que curiosos derrubem as torres com seus micro transmissores  experimentais de 100 miliwatts.

Em todo caso, 850 MHz, 900 MHz, 1800 MHz, 2100 MHz, 2600 MHz, 2800 MHz e recentemente também foram liberadas as bandas de 700 MHz, nessas frequências são usadas todas as tecnologias, do GSM ao LTE.

Só para citar um exemplo, em Itajaí, Santa Catarina, a tim em 3G (WCDMA) utiliza a frequência de 2152.4 MHz, se alguém fizer um bloqueador para 2100 MHz, não irá bloquear nenhuma rede, talvez de outra operadora se coincidir com a frequência da outra operadora.

Os bloqueadores podem transmitir em qualquer freqüência e são eficazes contra os sistemas AMPS, CDMA, TDMA, GSM, PCS, DCS, iDEN e Nextel, não há distinção entre celulares analógicos antigos e aparelhos digitais modernos, todos  podem ser bloqueados.

O raio de atuação do bloqueador depende da sua potência e do ambiente local, que pode incluir colunas ou paredes de um prédio que bloqueiam o sinal.

Os bloqueadores de baixa potência bloqueiam telefonemas em um raio de cerca de 2 a 5 metros, aparelhos de maior potência podem criar uma zona de bloqueio tão grande quanto um campo de futebol e os aparelhos usados pela polícia podem bloquear uma área de até 1,5 km.

Abaixo podemos ver um exemplo de placa de circuito impresso da parte de radiofrequência de um bloqueador de sinal de 7 bandas, portanto, projetado para as frequências utilizadas no Brasil, obviamente que para utilizar bastam que os ajustes de frequências sejam feitos para as frequências da Europa ou para as frequências da Americana.

Exemplo de placa de RF de um jammer de 7 bandas.
Exemplo de placa de RF de um jammer de 7 bandas. A montagem dos componentes deve ser feita em superfície.