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Identificação de Semicondutores: Como Ler Códigos de Transistores

Eu acompanho a evolução da eletrônica há décadas e uma das maiores dificuldades para quem está começando — ou até para técnicos experientes que se deparam com componentes importados — é decifrar a “sopa de letrinhas” gravada no corpo dos componentes. A identificação de semicondutores não é apenas uma questão de estética; é uma ciência baseada em normas internacionais que definem o material, a aplicação e a potência do dispositivo.

Nós, do Ibytes Brasil, entendemos que saber ler esses códigos é o primeiro passo para um reparo de sucesso ou para o desenvolvimento de um projeto robusto. Neste artigo, vou detalhar os três principais sistemas de codificação mundiais: o JIS (Japonês), o JEDEC (Americano) e o Pro-Electron (Europeu).

A Importância da Codificação no Sistema JIS (Japanese Industrial Standard)

O sistema japonês é onipresente em eletrônicos de consumo, como televisores e sistemas de som vintage e modernos. A estrutura do código JIS segue uma ordem rígida: Dígito, Primeira Letra, Segunda Letra, Número de Série e Sufixo.

Um detalhe técnico crucial que eu sempre ressalto é que o dígito inicial geralmente representa o número de junções PN menos um. Portanto, um transistor, que possui duas junções, começa com o número 2. No entanto, é muito comum que os fabricantes omitam o prefixo “2S” para economizar espaço no encapsulamento. Se você encontrar um componente marcado como “C937”, na verdade, ele é um 2SC937.

As letras no sistema JIS indicam a polarização e a frequência de operação:
SA: Transistor PNP de alta frequência (HF).
SB: Transistor PNP de baixa frequência (AF).
SC: Transistor NPN de alta frequência (HF).
SD: Transistor NPN de baixa frequência (AF).

Física Aplicada: Entendendo o Ganho e a Dopagem

Para entender por que existem tantos códigos, precisamos olhar para a física do componente. O ganho de um transistor (hFE) é determinado pela espessura da camada de base e pelo nível de dopagem dos cristais de silício ou germânio.

hFE = Ic / Ib
Ganho de Corrente Estático
Onde Ic é a corrente de coletor e Ib é a corrente de base.

Dependendo do código e do sufixo (como A, B ou C em certas normas), o projetista sabe exatamente qual a capacidade de amplificação daquele componente sem precisar testar um a um em um traçador de curvas.

Diagrama Conceitual

O Padrão Europeu Pro-Electron: Identificando o Material

O sistema europeu é, na minha opinião, um dos mais informativos.

A primeira letra indica o material semicondutor utilizado na fabricação do componente, o que é vital para entender a tensão de barreira da junção.

A: Germânio (Tensão de barreira de aproximadamente 0,2V a 0,3V).

B: Silício (Tensão de barreira de aproximadamente 0,6V a 0,7V).

C: Arsenieto de Gálio (GaAs).

R: Materiais compostos.

A segunda letra descreve a função principal.

Por exemplo, um BC548 (muito comum em nossos tutoriais) nos diz que é um componente de Silício (B) e um transistor de baixa potência para aplicações de áudio ou sinal (C).

Se você deseja se aprofundar em testes práticos, recomendo a leitura do nosso guia sobre como testar transistores NPN e também nosso artigo detalhado sobre a simbologia dos semicondutores para não confundir a pinagem durante a montagem.

O Sistema Americano JEDEC (EIA-370)

Diferente dos outros, o sistema americano é mais simplificado no prefixo, mas exige consulta frequente a datasheets para detalhes técnicos.

Ele utiliza o formato: Número, Letra “N”, e Número de Série.

O número indica a quantidade de terminais menos um (1N para diodos, 2N para transistores, 3N para FETs). O sufixo, quando presente, indica o ganho:
A = Baixo ganho.
B = Médio ganho.
C = Alto ganho.

Embora o código 2N2222 seja icônico, ele não revela o material diretamente no nome como o padrão europeu, exigindo que o técnico conheça a série ou consulte manuais.

Aplicações Reais e Marcas de Fabricantes

Muitas vezes, além dos códigos internacionais, encontramos marcas de fabricantes específicos que indicam linhas de potência ou RF.

A Motorola, por exemplo, utiliza prefixos como MJ (metal power) ou MJE (plastic power).

A Texas Instruments utiliza o famoso prefixo TIP (Texas Instruments Power).

Eu sempre indico o Canal Ibytes Brasil no YouTube para quem quer ver esses componentes em ação.

Acesse em: https://www.youtube.com/@Ibytesbrasil e confira nossas análises de circuitos de potência.

Vantagens e Limitações da Identificação Visual

A principal vantagem de dominar esses códigos é a agilidade no diagnóstico.

No entanto, a limitação reside nos componentes de “linha branca” ou carimbos personalizados para grandes indústrias, onde o código impresso não segue nenhum padrão mundial, servindo apenas para controle interno da fábrica.

Nesses casos, a engenharia reversa do circuito ou o uso de um testador de componentes inteligente é indispensável.

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Códigos de Transistores

O que significa o sufixo ‘L’ em alguns transistores?

Geralmente, o sufixo L ou de outras letras ao final do código pode indicar uma versão com pinagem diferenciada (como pernas mais longas ou invertidas) ou um ganho de corrente selecionado pelo fabricante.

Posso substituir um transistor de Germânio por um de Silício?

Não diretamente. Como vimos, a física do material altera a tensão de barreira (0,2V vs 0,7V). O circuito de polarização precisaria ser recalculado para que o transistor de silício saia do corte e entre na região ativa.

Por que alguns transistores pequenos têm apenas duas letras e um número?

Isso ocorre principalmente em componentes SMD (Surface Mount Device). Devido ao tamanho reduzido, o fabricante usa um “marking code” que deve ser consultado em tabelas específicas para descobrir o part number original.

Autor: Pedro – Ibytes Brasil
Especialista em tecnologia, entusiasta de eletrônica e hardware.
Atua na disseminação de conhecimento técnico desde 2005, focando em reparos, segurança e engenharia aplicada.
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