Você está em: Home > Eletrônica Digital > Expansão de I/O: Como Controlar 32 Cargas com PIC16F84 e RS232
Expansão de I/O PIC é uma técnica de engenharia eletrônica utilizada para aumentar o número de periféricos controlados por um microcontrolador com pinagem limitada.
Sua principal função no domínio da automação consiste em utilizar barramentos de dados compartilhados para gerenciar múltiplas saídas de potência.
Na prática, isso permite que um simples PIC16F84 controle trinta e duas cargas independentes através de uma única interface de comunicação serial.
Muitos desenvolvedores iniciantes se sentem limitados pelo número de pinos de um microcontrolador, mas a solução clássica da eletrônica digital sempre foi a multiplexação.
Com o circuito que apresento hoje, utilizamos a robustez da interface RS232 para enviar comandos de um computador diretamente para uma matriz de latches, criando um sistema de automação escalável e didático.
Arquitetura do Barramento de Dados e Controle
Embora o diagrama possa parecer denso à primeira vista, a lógica de funcionamento é elegante e direta.
O coração do sistema é o microcontrolador PIC16F84, que atua como o mestre da comunicação.
Ele recebe as instruções seriais via padrão RS232 e as traduz para um barramento de dados de oito bits paralelo.
A mágica da expansão ocorre nos quatro circuitos integrados 74LS573.
Estes componentes são latches transparentes do tipo octal.
Na prática, eles funcionam como “memórias temporárias” que seguram o estado lógico de oito saídas cada.
Ao endereçar qual latch deve ser ativado em determinado momento, o PIC consegue distribuir informações para as trinta e duas saídas de forma organizada, sem que uma interfira na outra.
O Papel dos Latches 74LS573 na Expansão
O CI 74LS573 é fundamental aqui porque ele permite que o barramento de dados do PIC seja compartilhado.
Quando o microcontrolador envia um byte, todos os latches “enxergam” esse dado, mas apenas aquele que receber o pulso de habilitação (Enable) irá capturar e manter esse valor em suas saídas.
Este é o princípio básico da lógica de barramento usada em computadores de grande porte.
Fique atento ao timing de acionamento.
Se o pulso de habilitação for rápido demais ou houver ruído no barramento, as cargas podem oscilar.
Por isso, o uso de capacitores de desacoplamento de cem Nanofarads em cada pino de alimentação dos CIs é obrigatório para garantir a estabilidade do sistema.
Interface RS232 e Comunicação com o PC
A escolha da interface RS232 permite que qualquer computador com porta serial (ou um adaptador USB-Serial moderno) envie comandos hexadecimais para o circuito.
Esta é uma excelente forma de estudar protocolos de comunicação assíncrona.
O PIC processa o sinal recebido e, dependendo do protocolo que você programar, define quais das trinta e duas saídas devem ser ligadas ou desligadas.

Os Componentes (Descrição de Bancada)
Para montar este projeto com sucesso, utilize componentes de procedência garantida.
Abaixo, detalho a função de cada item na sua placa:
- U1 (Microcontrolador): PIC16F84. É o cérebro que processa a pilha de protocolos RS232 e gerencia o barramento.
- U2, U3, U4 e U5 (Latches Octais): 74LS573. Cada um provê oito saídas estáveis, totalizando trinta e duas portas de controle.
- Resistores de Pull-up: Dez mil Ohms (10K). Garantem que os pinos de entrada não flutuem em estado lógico indeterminado.
- Capacitores de Filtragem: Cem Nanofarads (100nF). Posicionados junto ao Positivo da alimentação de cada CI.
- Cristal Oscilador: Geralmente de quatro Megahertz (4 MHz), acompanhado de dois capacitores de vinte e dois Picofarads (22pF) ligados ao Negativo ou terra do circuito.
Dicas para Programação e Firmware
Na prática, o código para este projeto deve focar na interrupção da serial.
Assim que um byte é recebido, o PIC deve identificar o endereço (qual bloco de 8 saídas) e o dado (quais pinos ligar).
Se você já está acostumado a manusear PIC em linguagem C ou Assembly, a implementação dessa lógica de varredura será trivial.
Aqui está o detalhe que faz a diferença: utilize um buffer no software para armazenar o estado atual das trinta e duas saídas.
Isso facilita a atualização de apenas uma porta sem alterar o estado das outras trinta e uma que já estão ativas.
Considerações sobre Acionamento de Cargas
As saídas dos CIs 74LS573 são de nível lógico (TTL).
Muitos erram nesta parte específica ao tentar ligar cargas pesadas diretamente nos pinos.
Para controlar lâmpadas, motores ou solenoides, você deve utilizar drivers de potência, como o ULN2803 (matriz de transistores Darlington) ou optoacopladores seguidos de TRIACs ou Relés.
Lembre-se sempre da segurança: se for controlar cargas ligadas à rede elétrica de cento e dez ou duzentos e vinte Volts, mantenha a isolação galvânica total entre o circuito lógico e a parte de potência.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Posso usar o PIC16F628A no lugar do 16F84?
Sim, o PIC16F628A é um sucessor direto e mais moderno.
Ele possui oscilador interno, o que permite liberar pinos extras e simplificar o layout da placa, mantendo a compatibilidade de código com pequenas alterações nos registros.
Qual a velocidade máxima de comutação?
A velocidade é limitada principalmente pela taxa de transmissão da porta RS232 (Baud Rate).
Para automação residencial, a resposta é praticamente instantânea, permitindo milhares de acionamentos por segundo se necessário.
É possível cascatear mais latches para ter 64 saídas?
Teoricamente sim, mas você precisará de mais pinos de controle do PIC para atuar como “Chip Select” ou usar um decodificador de endereços (como o 74LS138) para gerenciar a seleção de múltiplos latches usando menos pinos.
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Dica de Bancada: Ao trabalhar com barramentos de dados compartilhados, o maior inimigo é o ruído eletromagnético. Mantenha as trilhas de dados o mais curtas possível e sempre utilize um plano de terra (GND) generoso na sua placa de circuito impresso para evitar disparos falsos nos latches!
Especialista em Radiofrequência (RF) e eletrônica aplicada. À frente do canal Ibytes Brasil, Pedro dedica-se ao desenvolvimento de projetos práticos e à disseminação de conhecimento técnico de alta estabilidade.