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O desafio do ganho real em antenas de Radiofrequência
Quando o assunto é antena, o receio é comum.
Quem se aventura a construir seus próprios irradiadores sabe que o segredo não está apenas nos materiais, mas na precisão milimétrica e no conhecimento básico de RF.
Atualmente, com a expansão das redes sem fio, a busca por antenas para enlaces de longa distância cresceu, mas muitos projetos disponíveis não seguem critérios técnicos, prometendo ganhos em dBi que não correspondem à realidade.
Como meu objetivo aqui no Ibytes não é vender equipamentos, mas compartilhar conhecimento, posso afirmar: este projeto alcança vinte e quatro dBi de ganho, desde que as medidas sejam seguidas à risca e os materiais sejam de qualidade.
Na verdade, trata-se de uma evolução da nossa antena de 21 dBi já publicada, otimizada para máxima eficiência.
Inovação com Placa de Circuito Impresso (PCI)
Neste projeto, substituímos o corte manual de alumínio por algo mais sofisticado e preciso: placas de circuito impresso virgens.
O uso do fenolite como base garante que os elementos não entortem e que as medidas fiquem “travadas”, o que é crucial em altas frequências.
Na prática, a precisão do layout impresso é o que permite saltar dos vinte e um para os vinte e quatro dBi.
Materiais Necessários (Algoritmo Ibytes)
- Placa de Circuito Impresso (Fenolite): Duas unidades de dezesseis vírgula cinco centímetros por seis vírgula cinco centímetros (16,5 cm x 6,5 cm).
- Elemento Central (Espinha): Trinta e três centímetros de comprimento total gravados na parte metalizada da placa.
- Elementos Diretores e Refletores: Devem ter exatamente dez milímetros (1 cm) de largura pelo comprimento especificado no gabarito.
- Cabo Coaxial: Recomenda-se o uso do RGC 213. Embora seja mais rígido, ele apresenta menor perda (atenuação) em altas frequências do que cabos comuns de setenta e cinco Ohms.
- Refletor Parabólico: Para atingir o ganho total, utilizaremos a parábola de uma antena de TV por assinatura (como as da SKY ou Claro). Usaremos apenas o refletor metálico para concentrar as ondas.
Gabarito e Montagem Técnica
A montagem consiste em duas placas de CI: uma com o lado metalizado para cima e outra para baixo, mantendo uma separação máxima de quatro milímetros entre os elementos.
A parte metalizada é a antena propriamente dita.

Para desenhar o layout na placa, você pode usar técnicas de serigrafia ou o método clássico do esmalte de unhas (o famoso esmalte da dona Maria).
Ele é resistente ao corrosivo e muito econômico.
Se preferir algo mais profissional, pode utilizar o método de transferência térmica que já ensinei aqui no site.
A física do enlace: Potência vs. Sensibilidade
Uma dúvida comum é: “Qual a distância máxima desta antena?”.
Em RF, nada é absoluto, mas em terreno plano e com equipamentos de potência equivalente (transmissão e recepção), um enlace de quarenta e cinco quilômetros é teoricamente possível.
No entanto, o erro de muitos é usar uma antena de alto ganho em um lado e um equipamento fraco no outro.
Na prática, se o Access Point (AP) tem duzentos e cinquenta dBm de referência e o cliente apenas dezenove dBm, o sinal chega no cliente, mas o sinal de retorno não tem força para voltar.
Por isso, para grandes distâncias, as duas estações devem ser tecnicamente similares para manter o tráfego de dados constante.
Dicas de Corrosão e Acabamento
Para uma corrosão perfeita no percloreto de ferro, a placa deve estar bem limpa e lixada (lixa cem ou cento e vinte).
Se a solução estiver velha, uma leve aquecida ajuda no processo.
Como as trilhas desta antena são largas, o risco de curto-circuito é mínimo.
Assista ao vídeo para entender os detalhes da montagem e como posicionar o refletor para maximizar o ganho:
Perguntas Frequentes (FAQ)
Posso usar placa de fibra de vidro em vez de fenolite?
Sim, a fibra de vidro é inclusive superior para RF, apresentando menor perda dielétrica, embora seja um pouco mais cara e difícil de cortar.
Por que usar o cabo RGC 213?
Diferente dos cabos comuns, o RGC 213 possui blindagem e impedância adequadas para minimizar a perda de sinal entre o rádio e a antena em frequências de dois vírgula quatro Gigahertz.
A antena funciona para sinal de celular?
Este projeto foi calculado especificamente para redes Wireless.
Para celular, as medidas dos elementos precisariam ser recalculadas de acordo com a frequência da operadora (como setecentos ou oitocentos Megahertz).
Leituras Recomendadas
- Leitura recomendada: Medidas de antena direcional: Versão 21 dBi
- Leitura recomendada: Como fazer antenas para UHF usando placas de CI
- Leitura recomendada: Entenda a relação entre frequência e comprimento de onda
Autor: Pedro – Ibytes Brasil
Dica de Bancada: Ao finalizar a corrosão e limpeza, aplique uma fina camada de verniz de solda (breu com álcool isopropílico) nas trilhas de cobre. Isso evita a oxidação e mantém o ganho da antena estável por muito mais tempo, especialmente se instalada em áreas externas!
Especialista em Radiofrequência (RF) e eletrônica aplicada. À frente do canal Ibytes Brasil, Pedro dedica-se ao desenvolvimento de projetos práticos e à disseminação de conhecimento técnico de alta estabilidade.