Placas CI Sem Segrêdo

Com certeza que é o sonho de qualquer amante da eletrônica fazer suas próprias placas de circuito impresso com qualidade, o meu também era, por isso aprendi a praticar a serigrafia, e também esse é o motivo de ter disponibilizado gratuitamente aqui no Ibytes um curso inteiro de serigrafia, afinal, quem gosta de eletrônica deseja fazer suas
próprias placas de circuito impresso.

Da mesma forma que a prática da serigrafia, o processo fotográfico também é cercado de mentiras e quem conhece a técnica não ensina e até vende apostilas com kits para a fabricação de placas de circuito a valores astronômicos.

Por isso, depois de pensar no dinheiro que deixei de ganhar durante o tempo em que conheço três técnicas de fabricação de placas de circuito impresso, uma técnica é a de silk-screen, ou serigrafia no popular, outra técnica é esta que descrevo neste texto, o processo fotográfico, que ao ler, certamente ficará surpreso com os materiais caríssimos que são utilizados, a outra técnica é também o processo fotográfico, mas com materiais ligeiramente diferentes.

De qualquer modo, o computador você já tem, e para fazer seu fotolito você irá utilizar a computação gráfica, de modo simples, você vai poder fazer com custo de quase nada e utilizando matérias comuns, e suas placas de circuito impresso poderão ter trilhas tão finas que passam entre os terminais de um circuito integrado, o melhor é que as placas
irão surpreender a você mesmo pela qualidade final.

Claro que isto não será da primeira vez que você fizer, mas não deve-se desanimar, os que insistem conseguem, outros da primeira tentativa já obtém bom resultado, saiba que se investe em aprendizado, então alguns materiais serão desperdiçados nas primeiras vezes para pegar prática dos procedimentos, por isso começar fazendo coisas simples é
o que se recomenda.

Você não precisa se preocupar com produtos caros e difíceis de encontrar, o fotolito será gerado com a arte final gerada pelo computador e impresso numa impressora de jato de tinta, sim senhor, jato de tinta, ao contrário da serigrafia, a arte final exige a impressão numa impressora a laser.

Os materiais necessários são os seguintes: cola cascorez ou cola tenaz, qualquer cola que seja a base de água serve, foto sensibilizante utilizado na serigrafia, eu utilizo a marca tec-screen ref. 845.


Um pincel macio número 1 de pelo bem fininho também é parte integrante dos materiais necessários, esponja de aço macia, um secador de cabelo para acelerar o processo de secagem, e uma lâmpada de mercúrio de 500 watts, a lâmpada pode ser halógena também, mas a lâmpada de mercúrio produz menos calor, e não é do calor que precisamos, e sim dos raios ultra-violeta que essas lâmpadas emitem, em último caso, até o sol serve, mas se for dia nublado a coisa fica complicada.

Claro que o computador com uma impressora de boa qualidade, um software para a elaboração das placas de circuito impresso, eu utilizo o proteus, nele vem o ares que é muito fácil de utilizar, apesar de estar em inglês, mas é bem intuitivo, existem outros programas com e mesma finalidade, e até de graça, enfim, depende do gosto de cada um.

Também será necessário utilizar transparências para jato de tinta, no caso de trilhas não muito finas, o papel vegetal, ou poliéster também serve, se não tiver boa transparência, depois de impressa a arte no papel, passe com algodão margarina do lado contrário ao da impressão, fica bem mais transparente (idéia de jirico essa né?), às vezes temos que ser criativos.

Placas de circuito impresso virgens do tamanho que desejamos fazer os desenhos também serão necessárias, afinal, elas são o nosso objetivo final.

A recomendação de utilizar um software de elaboração de circuito impresso é porque a produção da imagem é em modo vetorial, sem depender da resolução e porque gera traços e linhas muito finas sem os serrilhados que são causados pelos mapas de bits, é claro que também pelo fato de não ter que importar e trabalhar no layout vindo de outras fontes.

Na falta de software, informo que existem versões gratuitas ou com limitações, mas que permitem gerar e imprimir a imagem do layout, como exemplo posso citar o PCBWizard e o Ares Lite, que também são bons programas para gerar o layout da placa de circuito impresso.

Uma parte do segredo está aqui, ao contrário da serigrafia, no processo fotográfico o fotolito deve ser impresso invertido, ou seja, o fundo é preto e onde passam as trilhas é branco, e deve ficar transparente após a impressão, a importância de utilizar um software para a elaboração das placas de circuito impresso é porque esse tipo de software é produzido com este tipo de recurso.

Se a imagem não ficar bem escura, podem ser colocadas duas imagens uma sobre a outra, você utiliza cola mesmo, então é só colar as folhas de forma que uma folha fique sobre a outra, mas isso só será necessário se as trilhas forem muito finas, cito este detalhe porque existem transparências e papel manteiga ou papel poliéster e até as impressoras
dão diversos tipos de resultados de impressão.

Outro ponto, é que no momento de imprimir, deve ser escolhida a melhor qualidade de impressão, e se a impressora dispor da opção imprimir somente em preto, deve ser usada esta opção, de qualquer modo, melhores resultados obtive com transparências da HP, deve ser porque elas têm uma fina camada de gelatina já meio fosca, por isso a tinta fica
mais escura do nas transparências lisas.

Chegou a hora de usar o secador de cabelos, sempre depois da impressão o secador de cabelos é acionado caso a impressão tenha sido feita em transparência, no poliéster a tinta seca rápido e não tem necessidade do secador de cabelos.

As artes com as imagens devem ser cortadas com meio centímetro a mais em sua volta, tenha cuidado ao manipular as imagens para que não fiquem manchadas, o que já coloca o projeto em risco.

A segunda parte do segredo começa aqui, corte a placa de circuito impresso meio centímetro maior do que o layout, isso é recomendado porque geralmente a distribuição do sensibilizante fica bem irregular nas beiradas.

Use uma lixa 400 para ferro ou palha de aço bem fina, o conhecido “bombril”, limpe bem a placa e lave com detergente neutro, enxágüe a placa e não toque mais os dedos ou qualquer parte do seu corpo na placa e deixe a placa secar.

É hora de preparar os produtos químicos: em um local de iluminação bem fraca (eu uso o banheiro de serviço com a luz apagada), uso como medida uma tampa dessas garrafas pet, é próximo 5 ml, não encha muito de cola cascorez, cola tenaz ou outra cola que seja a base de água, para poder misturar bem logo em seguida, vamos chamar essa mistura de cola com sensibilizante de “mistura“.

Em seguida, coloque 4 gotas de sensibilizante tec-screen e misture bem até a cor ficar homogenia e não houver nenhuma bolha.

Como detalhe, eu furo a embalagem do sensibilizante de forma a poder contar as gotas, faço um furo bem pequeno para essa finalidade, mas pode ser utilizado um conta gotas de qualquer remédio, só para constar e ter os devidos cuidados, os sensibilizantes são tóxicos e devem ser manuseados com muito cuidado.


Lembrando que a medida acima mencionada cobre uma placa de 20 cm por 20 cm.

Com o pincel, aplique a emulsão na placa fazendo movimentos como se estivesse fazendo uma pintura de primeira com tinta fina e bem cara, isto quer dizer que deve ser feito este procedimento com cuidado por toda a superfície da placa, que deve ficar com uma camada homogenia e sem as marcas de pinceladas sobre a placa.

Por isso é que o pincel deve ter pelos finos, por outro lado, a camada de sensibilizante deve ficar ligeiramente grossa para que fique resistente e não venha a sair no momento da corrosão, no caso de necessidade pode ser feita a aplicação em duas camadas, obviamente, depois que a primeira camada secar aplicar a segunda camada.

Se você não for bom pintor, pode espalhar a “mistura” sobre a placa usando um rolinho de espuma, mas isso é opção de cada um, com a prática, realmente deixa de ser necessário o rolo de espuma.

Agora tem-se duas opções, ou espera-se secar o “preparado” sobre a placa naturalmente em um ambiente meio escuro, ou utiliza-se o secador de cabelos.

Se for usar o secador de cabelos, regule para o calor médio e não aqueça demais a “mistura” que foi passada sobre a placa, o sensibilizante é sensível ao calor e vai estragar a revelação, além disso, podem levantar bolhas.

De qualquer forma, o recomendado é secar devagar em local escuro e bem ventilado, em todo caso, o secador de cabelos acelera o processo, mas a pressa é inimiga da perfeição, o que pode acontecer é que o calor pode reduzir a eficiência do sensibilizante.

Depois que a superfície da placa estiver seca, pegue o fotolito e coloque sobre a placa “pintada” com a tinta impressa virada para a placa, note que a placa pintada deve ficar em baixo, em cima da placa o fotolito, em cima deles um vidro fino para evitar que o vento ou algum abelhudo mude a posição da foto-impressão.


Se foi tudo feito conforme descrito, é só acender a luz e marcar o tempo para realizar a foto-impressão.


Quanto a luz, utilizo uma lâmpada de mercúrio, uma lâmpada halógena também pode ser usada, mas ao contrario da mesa de serigrafia, esta lâmpada deve ficar acima da placa a ser revelada, e lâmpada irá gerar calor, e desejamos somente a luminosidade.

Uma questão importante é o tempo de exposição a luz, tenho conseguido bons resultados com três minutos com 25 centímetros de distancia, mas o fato é que só com experiência é que irá determinar um tempo correto, das primeiras vezes a revelação pode falhar devido a falha no processo de revelação, se acontecer, limpe bem a placa e recomece
o processo, pior seria se a cada placa ela fosse perdida.

Depois da exposição o vidro e o fotolito devem ser removidos com cuidado, outro cuidado refere-se a exposição da placa sem o fotolito a luz forte, nesse caso, a “mistura” pode ficar endurecida e não irá sair na revelação, então, apague a luz e depois remova as partes.

Não fiz mesa de luz e nem caixa de luz, e luz está simplesmente pendurada próximo onde é a base para a exposição à luz.

Espere uns 15 minutos e pode começar a revelação, comece colocando placa numa vasilha com água, observe que a emulsão que não recebeu a luz vai ficando meio branca, para revelar coloque a placa em uma vasilha com água, observe como a emulsão que não foi exposta vai embranquecendo, use o pincel e vá removendo as partes mais claras, se optou
por um rolinho de espuma, ele pode ser usado no lugar do pincel.

Observe se não ficam resíduos entre as trilhas após terem sido removidos os excessos, estando tudo ok a placa pode ser enxaguada com água limpa e com muito cuidado, não coloque direto em baixo da torneira que as trilhas serão removidas.

Espere um pouco para a água escorrer e seque bem a placa com o secador de cabelos e verifique se ficou tudo certo em um lugar com bastante luz.

Podem ser necessários pequenos reparos nas trilhas que podem ser feitos com caneta de circuito impresso antes da corrosão.

Um truque que ajuda a deixar a “mistura” mais dura para que não saia na hora da corrosão é passar um algodão molhado no sensibilizante puro sobre as trilhas depois de reveladas e secas, depois é só enxaguar, expor à luz forte e secar bem antes de corroer.

Quando a foto-exposição da placa é feita de forma correta, a revelação em água acontece com rapidez e facilidade porque a “mistura” que não recebeu luz dissolve com muita facilidade, não leva mais que um minuto para estar revelada e uns três minutos para remover os resíduos.

O motivo de utilizar um pincel bem macio ou um pequeno rolo de espuma para a revelação é que ajuda a preservar as trilhas, um pano ou uma esponja acaba por fazer atrito lateral, e o atrito aumenta as chances de descolar trilhas.

Se no processo de revelação a “mistura” sair toda, inclusive nas trilhas, é porque faltou tempo de exposição à luz, e se não dissolver com facilidade é porque teve excesso de tempo de luz e a “mistura” ficou polimerizada, nada está perdido, faça a limpeza da placa e comece o processo de novo, ninguém nasce sabendo, e somente com prática é que o resultado vai ficando perfeito.

Tenha boa sorte, aproveite porque não são todos que passam este tipo de informação.

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