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Booster para Infravermelho: O Guia para Controle Remoto de Longa Distância
O Booster para Infravermelho é um circuito eletrônico projetado para capturar, amplificar e transmitir sinais de controle remoto através de cabos condutores, superando a barreira física das paredes e a limitação de distância (que normalmente é de 10 a 15 metros).
Com este projeto, é possível transformar o sinal óptico em um sinal digital transportado por cabo coaxial de 50 Ohms, permitindo controlar dispositivos a centenas de metros de distância.
Na minha experiência de bancada, este circuito se mostrou a solução definitiva para quem precisa operar receptores de TV, sistemas de som ou automação de portões a partir de salas diferentes ou até “virando esquinas”.
Validamos o alcance de até cento e cinquenta metros de cabo sem perdas de detecção.
Arquitetura do Receptor e Processamento de Sinal
O coração da unidade receptora é o circuito integrado pré-amplificador SL486, especializado em sinais de infravermelho.
Para que o sistema tenha robustez, adicionamos uma etapa de potência na saída.
Um ponto crítico aqui é a alimentação: recomendo uma fonte de, no mínimo, dois Ampères (2A) bem regulada para garantir a estabilidade do sinal digitalizado.
Para a captura do feixe de luz, utilizamos fotodiodos de alta sensibilidade.
Embora o projeto sugira o BPW34, realizamos testes com o conhecido BP104 e os resultados foram excelentes.
O circuito é aperiódico, o que significa que ele não distingue frequências específicas (como 38kHz ou 40kHz); ele simplesmente amplifica o envelope do sinal, deixando a decodificação por conta do aparelho receptor final.
- CI Receptor: SL486 (Pré-amplificador IR).
- Fotodiodo: BPW34 ou BP104 (Sensores de alta velocidade).
- Meio de Transmissão: Cabo Coaxial RG52 (Impedância de 50 Ohms).
- Alcance Testado: 150 metros (Potencial para até 500 metros).
A Etapa de Transmissão e Potência com MOSFET
No final da linha de transmissão (o lado do dispositivo que será controlado), o sinal digital precisa ser convertido novamente em luz infravermelha.
Para isso, utilizamos uma etapa de driver potente com o MOSFET de canal N BUZ10A.
Dica Técnica de Montagem: O BUZ10A é um componente que pode aquecer significativamente se o uso for contínuo.
É obrigatório o uso de um radiador (dissipador) de calor de alumínio.
Além disso, a conexão entre os transistores e a fonte deve ser a mais curta possível para minimizar indutâncias parasitas que podem deformar o sinal de alta frequência (que pode chegar a 200 kHz).


Interligação e Alimentação Remota
Uma das grandes vantagens deste projeto é a simplicidade de instalação.
Para evitar a necessidade de duas fontes de alimentação separadas, você pode enviar a energia para a etapa final utilizando um par de fios em paralelo com o cabo coaxial.
Fique atento à queda de tensão em distâncias longas; utilize fios com diâmetro (bitola) adequado para garantir que o transmissor receba a corrente necessária (entre 30 mA e 100 mA para os LEDs emissores).
Os LEDs emissores utilizados são os LD271.
O conjunto de três diodos garante que o feixe infravermelho tenha intensidade suficiente para que o aparelho (TV, DVD ou Receptor) “entenda” o comando como se o controle remoto original estivesse a apenas um metro de distância.
Análise de Campo e Testes Práticos
Em nossos laboratórios, o sistema foi testado com diversos aparelhos, incluindo TVs e sistemas de controle de acesso, operando sem falhas.
A utilização de cabo coaxial RG52 (comumente usado em antenas de rádio PX/VHF) garante que não haja interferências externas captadas pelo cabo, mantendo a integridade do código digital.
Se você estiver montando em uma placa de circuito impresso ou matriz de contatos, lembre-se: o layout não é crítico para o sinal, mas é vital para a dissipação térmica e estabilidade da fonte.
Comece testando em salas adjacentes e vá aumentando o comprimento do cabo gradualmente.
Leituras Recomendadas
- Saiba mais sobre: Como Testar Controles Remotos Rapidamente
- Entenda sobre potência: Guia de Dimensionamento de Dissipadores
FAQ – Perguntas Frequentes
Posso usar cabo de rede (UTP) em vez de cabo coaxial?
Embora funcione para distâncias curtas, o cabo coaxial de 50 Ohms oferece uma blindagem superior contra ruídos eletromagnéticos, o que é essencial para garantir o acionamento em distâncias superiores a 50 metros sem bugar o receptor.
O circuito funciona com qualquer controle remoto?
Sim, por ser um circuito aperiódico, ele amplifica o sinal modulado independentemente da frequência portadora utilizada pelo fabricante, seja Phillips, Samsung ou sistemas de portão.
Por que a fonte precisa ser de 1 ou 2 Ampères?
A etapa final de transmissão exige picos de corrente para disparar os LEDs infravermelhos com intensidade.
Uma fonte fraca causaria quedas de tensão, resultando em falhas na transmissão do código digital.
Dica de Bancada: Se você notar que o receptor final não está respondendo, verifique o alinhamento dos LEDs LD271. Eles devem estar apontados diretamente para o sensor do aparelho. Em distâncias longas, a estabilidade da fonte de alimentação na unidade transmissora é o fator número um de sucesso.
Especialista em Radiofrequência e Eletrônica Aplicada. No Ibytes Brasil, Pedro foca em transformar conceitos complexos em soluções práticas para problemas reais de conectividade e automação.