Conversor 12V para 19V

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Conversor Boost DC-DC é um circuito regulador chaveado capaz de elevar uma tensão contínua de entrada para um nível superior na saída, mantendo a estabilidade através de modulação por largura de pulso (PWM).

No contexto de sistemas móveis, essa tecnologia permite alimentar notebooks de 19 Volts utilizando a rede elétrica de 12 Volts de um veículo.

Na prática, trata-se de uma solução de engenharia de energia muito mais eficiente do que o uso de inversores AC tradicionais.

O Desafio da Mobilidade e a Solução por Conversão Boost

Quem trabalha em campo sabe: nem sempre existe uma tomada de cento e dez ou duzentos e vinte Volts por perto.

A primeira reação de muitos técnicos é recorrer a um no-break ou inversor para gerar tensão alternada e então ligar a fonte original do notebook.

O problema é que essa cascata de conversões gera uma perda imensa de energia por calor, drenando a bateria do carro rapidamente.

A solução inteligente é elevar os doze Volts da bateria diretamente para os dezoito ou dezenove Volts exigidos pelo computador.

Para isso, utilizamos o Conversor Boost DC-DC baseado no controlador UC3843.

Este componente é um oscilador PWM de alta performance que gerencia o chaveamento de um transistor de efeito de campo (FET), permitindo um rendimento superior e menor consumo em repouso.

Fique atento: este projeto é destinado a quem já possui domínio do ferro de solda e entende as leis da termodinâmica aplicadas à eletrônica, pois trabalharemos com correntes que podem chegar a dez Ampères durante o pico de carga da bateria do notebook.

Análise do Coração do Circuito: O UC3843

Diferente de osciladores simples, o UC3843 foi projetado especificamente para fontes chaveadas.

Ele monitora a tensão de saída e ajusta o ciclo de trabalho (Duty Cycle) em tempo real.

Se a carga do notebook exigir mais corrente, o integrado compensa aumentando o tempo de condução do FET.

Na prática, aproveitamos o oscilador interno para criar uma rampa de tensão sobre uma bobina (indutor).

Quando o transistor corta a condução, a energia armazenada no campo magnético da bobina é liberada, somando-se à tensão de entrada.

É assim que conseguimos “empurrar” dezenove Volts para a saída a partir de apenas doze Volts.

Componentes Críticos e Gerenciamento Térmico

Nesta montagem, alguns componentes são os pilares da robustez do sistema.

O primeiro deles é o Diodo DX. Ele deve ser um componente de ação rápida (Schottky ou Ultra-Fast) capaz de suportar quinze Ampères e cem Volts de polarização reversa.

Na minha bancada, utilizei diodos de alternadores automotivos montados em radiadores de calor generosos, pois a queda de tensão sobre o diodo gera calor considerável sob carga máxima.

O Transistor de Efeito de Campo (FET) é o braço forte do chaveamento.

O IRF840 é um cavalo de batalha clássico, mas para melhor rendimento, você pode optar por modelos com menor resistência de condução (Rds-on).

Um erro fatal que cometi em testes iniciais foi omitir o resistor de dez K Ohms entre o Gate (porta) e o negativo; sem ele, o FET pode ficar “pendurado” em estado de condução e queimar instantaneamente.

Aqui está o detalhe que faz a diferença: utilizei um par de transistores BD139 e BD140 como drivers para o Gate do FET.

Embora tenha testado com o par TIP31 e TIP32, os BDs apresentaram menor aquecimento e uma resposta de chaveamento mais limpa, dispensando radiadores próprios.

Diagrama esquemático do conversor Boost 12V para 19V com UC3843

Cálculo e Construção da Bobina (Indutor)

A bobina de cinquenta Milihenrys (50mH) não é um componente crítico em termos de precisão absoluta, mas sua construção física dita a eficiência.

Em meus experimentos, usei duzentas voltas de fio vinte e seis AWG enroladas sobre uma pilha comum AA como molde.

O resultado foi excelente.

Se preferir algo mais profissional, você pode usar um núcleo de ferrite de até sete centímetros de comprimento por um centímetro de diâmetro.

O importante é garantir que o fio suporte a corrente sem saturar o núcleo ou aquecer excessivamente.

Enrole as espiras de forma organizada, como em um carretel, para minimizar capacitâncias parasitas.

Lista de Componentes

  • IC1: Circuito Integrado UC3843. (O pino 1 é identificado pela meia-lua; a contagem segue o padrão DIP-8).
  • FET: Transistor IRF840 ou equivalente de maior corrente. (Olhando de frente, a pinagem é Gate, Drain, Source).
  • Diodo DX: Diodo de potência para 15 Ampères e 100 Volts. (O terminal com rosca geralmente é o Catodo).
  • R1 e R2: Resistores de oito vírgula dois Ohms (8R2) e oitenta e dois Ohms (82R) com cinco Watts de dissipação.
  • C1 e C2: Capacitores eletrolíticos de dois mil e duzentos Microfarads (2200uF) por trinta e cinco Volts.
  • (Atenção à polaridade: a faixa lateral indica o negativo).
  • P1: Potenciômetro ou Trimpot de quatro K sete Ohms (4K7) para ajuste fino da tensão de saída.

Nota sobre resistores: Com exceção dos de potência citados acima, todos os demais são de um oitavo de Watt.

Para identificação, utilize o código de cores de quatro anéis (o quarto anel ouro indica 5% de tolerância).

Calibração e Procedimentos de Segurança

Muitos erram nesta parte específica: conectar o notebook antes de ajustar a tensão.

Antes de qualquer coisa, ligue o circuito a uma bateria de doze Volts carregada e, com um multímetro na saída, gire o potenciômetro de quatro K sete Ohms até obter exatamente dezenove Volts (ou a tensão nominal do seu equipamento, geralmente entre dezoito e vinte e dois Volts).

Use obrigatoriamente um fusível de dez Ampères na entrada.

Quando a bateria do notebook está totalmente descarregada, o consumo de corrente do sistema é altíssimo e vai diminuindo conforme a carga é completada. Inversões de polaridade na entrada destruirão o UC3843 e possivelmente o FET instantaneamente.

Ferramentas Recomendadas para o Projeto

  • Multímetro Digital para calibração da saída.
  • Ferro de solda de pelo menos 40 Watts (devido às trilhas de alta corrente).
  • Pasta térmica para os radiadores de calor do FET e do Diodo DX.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Posso usar este conversor para carregar outras baterias?

Sim, desde que a tensão de carga seja ajustada corretamente e a corrente não exceda os limites do FET e do diodo.

É excelente para baterias de ferramentas sem fio de 18V.

Por que o meu circuito está chiando (ruído audível)?

Isso geralmente é causado por vibração mecânica nas espiras da bobina.

Você pode fixar o enrolamento com verniz isolante ou cola quente para eliminar o ruído de alta frequência.

O rendimento é melhor que um inversor de 110V?

Com certeza. Enquanto um inversor perde cerca de 20-30% na conversão DC-AC-DC, este conversor Boost trabalha com eficiências que podem superar os 85%, preservando a bateria do seu veículo por muito mais tempo.

Conclusão e Próximos Passos

Dominar a conversão Boost é um divisor de águas para qualquer técnico de campo.

Este projeto com o UC3843 é uma base sólida que você pode expandir para outras tensões e potências.

Lembre-se sempre de priorizar a dissipação de calor; em eletrônica de potência, calor é desperdício e risco.

Se você quer aprender mais sobre reguladores de tensão e projetos práticos de bancada, explore nossa seção de eletrônica para todos e fundamentos.

Autor: Pedro – Ibytes Brasil

Dica de Bancada: Em circuitos de alta corrente como este, as trilhas de cobre na placa de circuito impresso devem ser reforçadas com uma camada generosa de solda ou um fio de cobre estanhado por cima. Isso evita que a trilha atue como um fusível e se rompa com o calor.


Especialista em Radiofrequência (RF) e eletrônica aplicada. À frente do canal Ibytes Brasil, Pedro dedica-se ao desenvolvimento de projetos práticos e à disseminação de conhecimento técnico de alta estabilidade.

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