Alarme de Passagem com Sensor Infravermelho: Recupere Sensores Descartados
Alarme de passagem é uma solução eletrônica essencial para monitorar a entrada de clientes ou visitantes em locais onde a porta deve permanecer aberta, garantindo segurança e prontidão no atendimento sem a necessidade de um funcionário dedicado exclusivamente à vigilância.
Na prática, o que isso significa? Significa que você pode transformar aquele sensor de presença (PIR) que “parou de funcionar” em um sistema de aviso sonoro inteligente e de baixo custo, aproveitando a ciência da detecção infravermelha passiva.
Muitos sensores de presença comerciais são descartados prematuramente.
O defeito comum não está na lógica de detecção, mas sim no desgaste mecânico dos contatos do micro-relé interno.
O sensor continua “enxergando” o movimento e acendendo o LED indicador, mas não consegue fechar o contato para acionar a carga.
Nós vamos utilizar exatamente esse sinal luminoso para disparar um novo circuito de potência, dando vida nova ao componente que iria para o lixo.
A Ciência por Trás do Sensor Infravermelho Passivo (PIR)
O coração deste projeto é o sensor infravermelho passivo.
Diferente dos sensores ativos, ele não emite luz; ele detecta as variações de radiação infravermelha emitidas pelo calor do corpo humano.
Quando alguém atravessa o campo de visão da lente de Fresnel, o elemento piroelétrico gera uma pequena tensão que é processada pelo CI original do aparelho.
- Detecção Térmica: O sensor reage à mudança brusca de temperatura no ambiente.
- Lógica de Temporização: A maioria dos sensores possui um ajuste interno que mantém o sinal ativo por alguns segundos.
- Acoplamento Óptico Caseiro: Usaremos a luz do LED de diagnóstico como gatilho isolado.
Fique atento a este detalhe técnico que muitos deixam passar: ao utilizar o LED como disparador, isolamos eletricamente o circuito recuperado da rede elétrica original do sensor, o que aumenta drasticamente a segurança da montagem e evita interferências eletromagnéticas (EMI) no processamento do sinal.
Esquema Elétrico e Funcionamento do Circuito
O funcionamento é extremamente simples e eficiente.
Quando o sensor detecta movimento, o LED interno acende.
O foto-transistor, posicionado face a face com este LED, entra em condução.
Este sinal satura a base do transistor BC549, que atua como uma chave eletrônica, permitindo que a corrente flua através da bobina do novo relé de 12V.
Para garantir a estabilidade do sistema, o foto-transistor deve ser montado dentro de um pequeno tubo opaco (pode ser um pedaço de espaguete termo-retrátil preto ou um tubo de carga de caneta).
Isso evita que a luz ambiente cause disparos falsos.
O diodo em paralelo com a bobina do relé protege o transistor contra o pico de tensão reversa (força contra-eletromotriz) gerado no momento do desligamento.
Lista de Componentes e Descrição
Para esta montagem, utilizaremos componentes de uso geral, muitos dos quais você encontra em sua própria bancada ou em sucatas de drivers de CD e fontes antigas.
- Q1 (Foto-transistor): Sensor óptico NPN. Na prática: Atua como o receptor do sinal luminoso do LED do PIR.
- Q2 (Transistor BC549): Transistor NPN de baixa potência. Olhando de frente com as letras para você, a sequência de pinos é Coletor, Base e Emissor. Na prática: Amplifica o sinal para acionar o relé.
- D1 (1N4148 ou 1N4007): Diodo de sinal ou retificador. O lado da faixa é o terminal catodo. Na prática: Proteção contra picos de tensão da bobina.
- K1 (Relé 12V): Relé com contato NA (Normalmente Aberto). Na prática: Chaveia a sirene ou carga externa.
- Sensor PIR: Sensor infravermelho passivo (pode ser sucata com relé interno defeituoso).
- Alimentação: Fonte de 12 Volts (12V CC). Tenha cuidado com o Positivo da alimentação e o Negativo ou terra do circuito; inversões podem danificar o sensor permanentemente.
Nota Importante: Como estamos lidando com reaproveitamento, utilize resistores com código de cores de quatro anéis, onde o quarto anel é a tolerância (ouro 5%).
Caso precise de um resistor de base para o BC549 (opcional, dependendo da sensibilidade do foto-transistor), um valor de 10K Ohms (dez mil ohms) costuma ser ideal.
Montagem e Integração com a Sirene
O projeto prevê o uso de uma sirene de 12V pronta, comumente usada em alarmes residenciais.
Elas possuem alto rendimento e baixo consumo.
O relé atuará fechando o circuito da sirene toda vez que o sensor detectar a entrada de alguém.
O som será emitido apenas durante o tempo em que o LED do sensor estiver aceso, simulando perfeitamente aquela “sineta de recepção” de forma eletrônica e elegante.

Leituras Recomendadas
- Leitura recomendada: Alarme de Passagem IR e Projetos de Sensores
- Leitura recomendada: Guia Definitivo: Como Testar Transistores NPN e PNP
Perguntas Comuns sobre o Alarme de Passagem
Posso usar qualquer sensor de presença comum?
Sim, desde que ele possua um LED indicador de detecção. O circuito funciona capturando a luz desse LED, portanto, a marca do sensor não interfere na lógica do alarme de passagem.
O foto-transistor pode ser substituído por um LDR?
Pode, mas o LDR é muito mais lento e menos sensível a variações rápidas de luz. O foto-transistor oferece uma resposta imediata, garantindo que o alarme toque no exato momento da entrada.
Como alimentar o circuito e o sensor com a mesma fonte?
A maioria dos sensores PIR internos operam com 12V. Você pode derivar a alimentação da placa do sensor para alimentar o seu circuito de relé, desde que a sua fonte tenha corrente suficiente (pelo menos 500mA) para acionar a sirene.
FAQ Relacionado ao Alarme de Passagem
O que fazer se o alarme ficar tocando direto?
Verifique se o foto-transistor está bem isolado da luz ambiente dentro do tubinho escuro. Verifique também se não há fontes de calor (como lâmpadas incandescentes) apontadas diretamente para o sensor infravermelho.
Posso ajustar o tempo que o alarme fica tocando?
Sim, esse ajuste é feito diretamente no potenciômetro de “Time” (Tempo) que existe dentro da maioria dos sensores infravermelhos passivos.
Este circuito serve para segurança contra roubo?
Este projeto é focado em aviso de entrada (cortesia/atendimento). Para segurança contra invasão, recomenda-se sistemas com baterias de backup e sirenes de alta potência interligadas a centrais de alarme profissionais.
Conclusão e Próximo Passo:
Transformar sucata em tecnologia útil é a base da eletrônica inteligente.
Agora que você já sabe como recuperar um sensor PIR, que tal aprender mais sobre outros componentes?
Use a busca do nosso site para encontrar projetos sobre “Fontes de Bancada” ou “Temporizadores”.
Se tiver dúvidas sobre a pinagem do seu foto-transistor específico, deixe um comentário ou procure pelo datasheet do componente.
Nos vemos no próximo projeto!
Autor: Pedro – Ibytes Brasil
Desenvolvedor de projetos e especialista em Radiofrequência (RF) e eletrônica aplicada. À frente do canal Ibytes Brasil, dedica-se ao desenvolvimento de sistemas de transmissão, estudos de SDR (Rádio Definido por Software) e engenharia de circuitos de alta estabilidade. Atua na disseminação de conhecimento técnico avançado, transformando conceitos complexos de telecomunicações em projetos práticos e funcionais.