Celular Nos Confins

Desde que o mundo existe, a comunicação tem papel fundamental no cotidiano das pessoas, afinal, seja através de palavras faladas ou escritas, através de gestos, sinais luminosos, sinais de fumaça ou qualquer outro meio, a comunicação é essencial.

Atualmente, até mesmo os transmissores de alta potência que eram utilizados para comunicação de longa distância ficaram um pouco esquecidos, isso se deve a ampliação das redes de telefonia móvel.

O grande problema é que o capitalismo está presente na vida das pessoas e das empresas em geral, e nenhuma operadora de telefonia vai investir para não ter retorno financeiro, por isso, as regiões remotas ficam sem sinal de celular, e essas regiões se tornam uma espécie de território de outra parte do planeta, ou seja, isoladas do resto do mundo.

Levar a comunicação a lugares remotos custa caro e pode não ter retorno financeiro imediato, e talvez nunca dê lucro, mas talvez o fato de alguém fazer um investimento por pura teimosia e pelo prazer de conseguir se comunicar a partir de um determinado local, seja um grande motivo.

Atualmente o meio de comunicação mais utilizado é a comunicação através de celular, em outras palavras, estamos tratando de radiofrequência, que sabemos que existe e que usamos diariamente, que sofre interferências atmosféricas e que tem algumas características que devem ser levadas em conta em qualquer tipo de instalação de uma estação de comunicação.

Entenda os passos seguintes como se fosse uma consultoria gratuita, pois são os procedimentos e detalhes a serem observados para levar sinal de celular onde não tem ou onde tem e não foi possível captá-lo.

As operadoras de telefonia utilizam torres com um equipamento que chamam de ERB (estação rádio base), esse equipamento utiliza a tecnologia concedida pelos órgãos reguladores do setor.

A ERB consiste em dois transceptores, um deles “puxa” as ondas eletromagnéticas (o sinal de rádio) de alguma estação e “empurra” ondas eletromagnéticas (o sinal de rádio) de volta para alguma estação remota, vamos chamar esse transceptor de A, para fins didáticos.

O outro transceptor (vamos chamá-lo de B) repete o sinal que foi capturado pelo transceptor A para a área de cobertura, e captura as transmissões dos aparelhos celulares que conseguem se comunicar com a antena instalada no transceptor B.

Então o transceptor B envia as transmissões captadas de volta para o transceptor A, e este por sua vez, envia para alguma estação remota, que por sua vez enviará para outra estação remota, e assim sucessivamente até que a transmissão capturada pelo transceptor B chegue em uma estação central.

O sistema é complexo, e uma interferência ou corte no fluxo das ondas eletromagnéticas interromperá a comunicação, tecnicamente chamam isso de ruptura de sinal de rádio, mas prefiro usar a linguagem não técnica.

Na estação ERB existem antenas, elas estão sintonizadas para trabalhar na frequência de operação, aí surge o primeiro problema para um usuário ou instalador com pouco conhecimento, o problema inicial é saber qual a frequência de operação.

Bom, dependendo do tipo de equipamento, a transmissão não acontece na mesma frequência que acontece a recepção, caso não fosse assim, não seria possível falar e escutar ao mesmo tempo num celular, existem alguns MHz de diferença entre os canais de transmissão e de recepção.

A parte mais complicada em relação a frequência utilizada é devido ao equipamento que será utilizado, pois como exemplo cito a área que conheço.

Em Santa Catarina, a tim utiliza 850 MHz na banda A, a vivo utiliza a 850 MHz na banda B, a claro e a tim utilizam a banda D em 1800 MHz, a oi utiliza 1800 MHz na banda E, a vivo também utiliza 1800 MHz na banda M, e finalmente, a claro e a vivo utilizam 1900 MHz na banda L.

E para complicar um pouco, a oi, a claro, nextel, tim e vivo utilizam 1900 e/ou 2100 MHz para internet 3G.

Na frequência de 2500 MHz, onde funciona o 4G, só como exemplo, a banda P tem uma largura de banda de 10+10, a estação ERB tem 2.620 MHz (no caso é a claro) e a estação móvel vai cobrir de 2.500 a 2.510 MHz.

A estação móvel refere-se ao aparelho celular ou smartphone, esse já vem com a antena impressa na própria placa de circuito impresso, mas como, e para qual frequência seria a antena para ser usada numa das estações citadas acima?

Em resumo simples, o equipamento particular que pode ser instalado pelo particular vai ter que puxar o sinal disponível na região a ser coberta pelo sinal de rádio (sinal de celular) e depois empurrar de volta o sinal, e este sinal ser “entendido” e aceito pela estação ERB da operadora.

Então o que precisa ser conhecido por parte do instalador é se existe sinal de celular onde ele pretende repetir algum sinal, atualmente essa medida pode ser feita no próprio celular com android, procure pela alternativa estado, status ou rede, pois varia de acordo com o fabricante, ou procure por algum APP que informe o status de rede.

A medida do sinal é feita em dBm para menos, ou seja, uma leitura com sinal de -77 dBm é melhor do que uma leitura com sinal -79, o mesmo vale para os números positivos, mas a lógica é invertida.

Antes de comprar um repetidor de sinal de celular, é preciso saber detalhes referentes a alguns itens:

a) Existe algum sinal a ser amplificado no local onde é desejado amplificar os sinais?

b) Qual a intensidade do sinal (em dBm) a ser amplificado e repetido?

c) Qual a frequência do sinal do qual é pretendida a amplificação?

d) Qual a área de cobertura do amplificador de sinais para celular?

Existem muitos itens a serem observados, para obter sucesso é preciso saber pelo menos o básico de viabilidade, mas por desconhecimento, ansiedade ou por outros motivos, há quem compre equipamentos sem se preocupar com detalhes.

Como deu para perceber, cada operadora opera em uma faixa de frequências, e para ser mais exato, a frequência de transmissão não é a mesma da recepção.

Um exemplo prático de frustração anunciada é a aquisição de um equipamento cujo anúncio indique a cobertura de sinal de 850 a 2500 MHz, se for o caso, peça ao vendedor para realizar a instalação, dependendo do caso e da operadora pode até funcionar, mas é pouco provável.

As características das antenas deixam claro e não dá para acreditar que uma banda tão larga de frequências possa ser amplificada por uma antena, muito menos pelos componentes internos e eletrônicos com alta sensibilidade, obviamente que em alguma faixa o sinal terá uma resposta melhor.

Isso não é tudo, mas deve dar uma boa ideia do que é necessário para poder se comunicar a partir de locais remotos e sem sinal de telefonia celular.

Em último caso, se tiver uma grana significativa, com um telefone via satélite haverá cobertura em todo território brasileiro.

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