Frequência Instável

Quem já montou algum esquema de pequeno transmissor de FM já deve ter percebido que a instabilidade na freqüência de operação é uma realidade difícil de contornar, principalmente se a blindagem estiver ruim ou mal feita, se os fios de ligação estiverem longos, até mesmo a filtragem da fonte de alimentação interfere na instabilidade da freqüência em que o circuito foi ajustado para oscilar.

Também já deve ter percebido que ao aproximar a mão ou algum objeto metálico da antena ou do circuito tanque que é formado por um indutor e um capacitor ou por conjuntos de indutores e capacitores a freqüência de operação muda, e até mesmo encostar a mão ou algum objeto na parte negativa do circuito altera a freqüência.

A alteração na freqüência não pode ser vista a olho nu mas percebe-se que a sintonia foge, ao afastar a mão ou objeto a sintonia volta para a mesma freqüência, deixando claro que o campo magnético é alterado com a aproximação de objetos.

A alteração ou a instabilidade de freqüência é o que existe de mais complicado de resolver, e quanto mais alta a freqüência mais instável o circuito oscilador fica, isso é fácil de ser entendido se tomarmos como referência um oscilador simples que oscila em 100 MHz, ou seja, um micro-transmissor de FM.

100 MHz é a faixa de FM comercial, e geralmente costumamos fazer as nossas experiências com radiofreqüência na faixa de FM comercial pela facilidade em monitorar o que está acontecendo, ou seja, através do próprio rádio receptor, isso acontece porque geralmente não existe disponível equipamento para a medição e análise de resultados do nosso transmissor.

Dificuldades à parte, nosso foco é o desvio ou a instabilidade de freqüência, então multiplique 100 MHz por 24 e teremos o resultado de 2400 MHz, ou seja, 2,4 GHz que é o espectro mais baixo das freqüências de operação das redes Wlan.
Ao aproximar um objeto metálico ou não metálico a 10 centímetros de um circuito operando em 100 MHz ele já foge da freqüência, imagine isso aumentado em 24 vezes, pois é, dá para imaginar que com ½ centímetro de aproximação já ocorram desvios.

Não sei o seu grau de conhecimento no assunto, mas talvez você diga que o circuito montado para operar em 100 MHz é caseiro e por isso existem desvios, o mesmo não acontece com circuitos montados comercialmente.

Não é bem assim, mas admito que até poderia ser, cito esse exemplo para ilustrar o porque do fracasso de muitas montagens de circuitos projetados para funcionar com base nas ondas eletromagnéticas, principalmente daqueles circuitos que são montados para operar na faixa dos GHz, onde qualquer desvio da freqüência de operação, por menor que seja, causa desvios na sintonia.

É preciso ter em mente que mexer com montagens de radiofreqüência, sejam elas antenas ou circuitos, existem critérios, fórmulas, métodos, e acima de tudo bom senso e uma boa dose de conhecimento em eletrônica e prática em montagens.

Não é porque qualquer interessado que vê o esquema de um circuito que envolve radiofreqüência e já pensa que pode fazer, mesmo os mais experientes se aproveitam de todos os detalhes adquiridos durante seu contato com eletrônica e principalmente radiofreqüência, às vezes é experiência até de décadas, e mesmo assim não é raro procurar por soluções alternativas quando realizam suas montagens.

Com isso digo que se não der certo da primeira vez, pode ter havido erro na montagem e também é provável que seja necessário adquirir mais experiência no assunto, então é necessário realizar montagens simples e ir aumentando o grau de dificuldade aos poucos.

Para terminar, o assunto “circuitos ressonantes” que é justamente o de sintonia de radiofreqüência me reprovou duas vezes, justamente porque eu achava que podia pular alguns degraus, mas não consegui passar enquanto não adquiri experiência para manusear e entender os detalhes, e hoje sei o que sei, porque passei pelas etapas necessárias.

Pense no meio ambiente antes de este link.
 
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