Micro Rádio Transmissor

Os mini transmissores já foram circuitos que davam status para quem os conseguia montar, mas isso foi há muitos anos atrás, com informações nas mãos a toda hora e principalmente componentes eletrônicos de todos os tipos, sejam eles avançados ou simplesmente transistores discretos estão a nossa volta e a preços irrisórios, possibilitando ao mais pobre dos pobres fazer da eletrônica seu passatempo.

Mesmo assim o micro transmissor ainda desperta as mentes dos curiosos do fascinante mundo da eletrônica, e mais cedo ou mais tarde, cada amante da transmissão vai acabar perguntando se não existe uma maneira de fazer uma rádio de FM e no primeiro momento só interessa os 50 metros permitidos, mas logo também vai querer atingir um maior alcance.

É claro que existem possibilidades de fazer uma pequena ou uma grande estação de freqüência modulada, basta que seja colocado um mixer na fonte de sinal e este mixer entregue o sinal para o circuito de RF, e já teremos uma estação rádio transmissora, se é potente ou não, não vem ao caso, o fato é que será uma rádio, quanto a freqüência, isso depende das necessidades, disponibilidade de freqüência, etc.

Quanto a obter maiores alcances existem duas maneiras óbvias, a melhor e a mais barata maneira é ter um bom sistema de antenas, mas nem sempre isso é possível por razões práticas, e às vezes o sistema de antenas já está bom, então a maneira óbvia é aumentar a potência de saída do transmissor.

Quero lembrar que as transmissões com alcances maiores que 50 metros são proibidas no Brasil, se você for pobre igual a mim dá processo e às vezes dá cadeia, tenha ciência disso, mas se você for para uma fazenda onde não atrapalhe nenhuma estação comercial e não perturbe a paz de nenhum vizinho que gosta de curtir rádio FM ninguém irá ficar sabendo e você poderá testar á vontade, aliás, um defeito que todo “maldito montador” tem é o de não saber ficar de bico fechado, logo que vê transmitindo já sai berrando aos quatro ventos, OLHA: SOU EU TRANSMITINDO ESSA MÚSICA.

Muitos querem transmitir a quilômetros com pedaços de 10 centímetros de fio na saída de RF de um transmissor de 100 mW, isso na teoria é uma coisa, mas na prática é outra coisa, basta que sejam levados como exemplo as conexões das redes wlan, é possível sim enviar sinais de RF e obter conexões entre computadores por distâncias absurdamente longas, como 8, 10 ou mais quilômetros.

Mas note que existem exigências técnicas rigorosas, veja só: cabo RGC 213 (é grosso e duro) de máximo 7 metros, antena bem calibrada e roteador com potência acima de 24 dBm (200 mW), então porque queremos transmitir a quilômetros sem uma antena adequada para a freqüência de transmissão, sem cabo coaxial adequado e sem o casamento perfeito entre o transmissor e a antena.

Com 24 dBm e com antenas calibradas consigo conexões em redes wlan com estações distantes 8 quilômetros uma estação da outra, mas com visada, com cabo coaxial e conectores recomendados, claro que a freqüência de operação é absurdamente mais alta, é em torno de 24 vezes mais alta, mas os cuidados e as exigências para o bom funcionamento, em se tratando de radiofreqüência são as mesmas.

Como é que alguém deseja que um transmissor de 100 mW envie seu sinal a quilômetros estando ele dentro de casa, com um pedaço de fio como antena, em cima de uma mesa e cheio de fios compridos que fazem as ligações, além de vários obstáculos metálicos e as vezes paredes de concreto servindo de barreiras.

É preciso ter bom senso e ter um pouco de conhecimento de como as ondas eletromagnéticas se propagam no espaço, ou então ter em mente que em se tratando de freqüências na faixa de VHF e na faixa de UHF a transmissão pode ser feita sem nenhuma observação, mas o receptor só irá captar os sinais que estiverem na linha visual, é mais ou menos o mesmo que dizer que se uma antena pode ver a outra, a outra antena também pode ver a primeira, ou seja, as antenas devem ter visada, a não ser que o alcance da transmissão desejada seja pequeno.

Todo esse texto e nada citado referente ao projeto objeto deste texto, mas é justamente para que o montador tenha conhecimento do porque às vezes o projeto não trás os resultados esperados, é claro que existem os erros de montagem, geralmente os afobadinhos quando conseguem um novo esquema, saem montando sem prestar atenção e então surgem os desapontamentos.

Nesse pequeno projeto, um mixer utilizando um conhecido CI 741, o pino 6 do CI 741 é a saída de áudio que irá modular o oscilador de radiofreqüência que tem como elemento ativo o transistor 2N2219, no protótipo utilizei um transistor metálico e não utilizei radiador, porque só ficou morno, trocando o resistor de 220 ohms para 100 ohms a potência aumenta e o transistor deve ter um radiador, com resistor de 220 ohms com antena dipolo aberto (2 varetas 60 centímetros) captei o sinal a 300 metros, com resistor de 100 ohms captei o sinal irradiado a 500 metros, utilizei como receptor um rádioshack pró-94, que é meu companheiro de testes de alcance.

Sempre tenho visto osciladores para operar na faixa de FM comercial (88 a 108 MHz) sem modulado em amplitude, obviamente que funciona, mas existem receptores que pelo fato de detectarem de forma digital o sinal de RF, acabam por não fazer a sintonia do oscilador, e o montador sem experiência fica se batendo procurando um defeito ou erro de montagem que na verdade não existe.

Então, procure fazer seus testes em receptores que não tenham a sintonia digital para o caso de transmissores modulados em amplitude, no caso do circuito sugerido aqui, a modulação é em freqüência e não haverá este problema, muitos vão notar e outros nem vão notar esse detalhe, mas a transmissão é mono, um codificador se estéreo iria tornar o projeto complicado, e eu gosto de coisas práticas com possibilidade de todos conseguirem realizar a montagem.

A bobina L1 é de núcleo de ar em forma de 8 milímetros utilizando fio 22 AWG esmaltado, sendo as pontas raspadas para possibilitar a soldagem, eu utilizo uma broca de 7 milímetros e faço sempre cinco voltas de fio, mas a quantidade de voltas pode ser necessário mudar, isso depende do valor do CV, o valor recomendado é de 10 a 60 pF para obter uma boa faixa de ajustes na sintonia de transmissão, na verdade, esse é o único ajuste do circuito, mas é um tanto crítico, principalmente para quem não tem experiência no manuseio de componentes em radiofrequência.

Os capacitores que compõem o circuito oscilador devem ser todos de disco cerâmico, ou seja, capacitores de boa qualidade, atenção especial ao capacitor de 4p7 e ao capacitor de 10 pF que é ligado em série com o diodo varicap BB804, que admite equivalentes, como observação, o capacitor de 10 pF e o diodo varicap são os responsáveis pela modulação em freqüência, assim, se não tiver áudio mas a portadora for captada, é sinal que o oscilador funciona mas a etapa de áudio não está entregando o áudio para a modulação.

Deve ser lembrado que um dos erros mais comuns acontece na compra do material para realizar o projeto, tudo porque o desgraçado do vendedor não sabe identificar componentes, ele vai à caixinha de peças, está escrito o valor do componente, mas nem sempre é aquele o componente, ele lhe entrega e você leva, e o projeto não sai do papel e depois você me escreve perguntando porque o circuito não funciona, e ainda me xinga dizendo que eu passei o diagrama com erros.

Como exemplo, se apenas o capacitor de 4pF não for soldado no lugar correto e se ele não for de disco cerâmico, o circuito simplesmente não funciona, se o capacitor de 2K7 não for soldado no lugar certo e se ele não for de disco cerâmico, o circuito não funciona, se o transistor não tiver os terminais base, coletor e emissor soldados conforme indica no esquema, o circuito não funciona, agora se conseguir cometer todos os erros citados, vá se benzer e estudar como identificar componentes.

Nas entradas de sinal de áudio, foram previstos três canais, mas podem ser acrescentados até o limite de 10 canais, sempre observando ligações curtas e com fios blindados, podem usados nas entradas de áudio sinais de CD player, DVD, MP3, MP4, cápsula dinâmica, saída do computador, microfone dinâmico e até microfone de eletreto com a devida polarização, o elemento ativo nessa etapa é o CI 741, conhecido da maioria, o ajuste do master (ganho geral) é feito no potenciômetro de 1 méga, o ajuste do nivel de sinal individual é feito no potenciômetro de 100K ohms da respectiva entrada, assim pode ser obtido um nível igual para diferentes níveis de sinais de entrada, o pino 1 e o pino 5 são utilizados para ajustar o off-set, nesse circuito eles ficam em aberto (sem uso).

A alimentação é feita com uma bateria de 9 ou 12 volts, eu usei uma bateria de moto nos testes, a durabilidade é grande, e pode ser prevista uma fonte com muita boa filtragem e boa regulagem, pois se a tensão da fonte oscilar, a freqüência de transmissão também varia, e faz com que o ouvinte tenha que reajustar a sintonia do receptor.

Demais componentes acredito dispensar qualquer tipo de comentário, o esquema é o que está na figura abaixo.

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