Relês de Janela

Dia desses encontrei um velho conhecido, mal e mal nos cumprimentamos e ele já foi falando da sua necessidade, aliás, a primeira vista parecia absurda, mas depois concordei com ele e prometi desenvolver um circuito bem simples, mas que fosse funcional e que tivesse um custo final bem baixo.

O novo circuito deveria ligar e desligar o mesmo circuito, mas ficar um período de tempo curto sem funcionar, um tipo um circuito que se comportasse como uma chave, e que dependendo da posição alimentaria ora com uma fonte de energia, ora com outra fonte de energia, mas ambas as fontes de energia seriam de 12 volts do mesmo veículo, portanto, para uso automotivo.

Conversando sobre mais detalhes do funcionamento, ficou claro que se tratava uma câmera, que quando é ligada grava vídeos até que tenha a alimentação cortada, e ao receber alimentação novamente ela procura um dispositivo Bluetooth para enviar os vídeos gravados, se não encontrar nenhum, os vídeos são apagados e começa um novo ciclo, coisa de chinês.

A alimentação dessa câmera vem dos 12 volts do acendedor de cigarros, que ao dar partida no motor fornece alimentação e ao desligar o motor a alimentação é interrompida, é perfeito, só que não para a câmera em questão, pois ela não consegue gravar e enviar vídeos simultaneamente.

O detalhe é que simplesmente trocar o local de origem da alimentação através de uma comutação simples não resolve, pois a bendita câmera precisa ficar pelo menos 5 segundos sem receber alimentação para entender a próxima função, se não fosse isso, um relê de dois contatos reversíveis resolveria o problema.

Mas dois reles 1 contato reversível executam a função necessária, só que não podem chavear no exato instante do corte da alimentação, então é preciso fazer com que o chaveamento dos relês sejam retardados para dar tempo do circuito perceber a alteração, e são pelo menos 5 segundos.

Basicamente é um sistema de relês com um lapso de 5 segundos sem alimentação, como é necessária a detecção do corte de alimentação optei por retardar também no RL1, embora não faça efeito ao desligar a alimentação, faz o retardo quando a chave de ignição é acionada, pois uma queda de tensão acentuada “enganaria” o circuito, mas assim, ele só liga depois que o motor estiver funcionando.

Segue o esquema:

ibytes_janela_com_reles

Note que R2 (120K) carrega C1 (100 uF) que se descarrega através de R1 (33K), enquanto C1 é carregado RL1 não tem a bobina energizada através de Q1, mas quando a carga estiver completa em C1, R2 polariza a base de Q1 e este por sua vez faz a bobina de RL1 movimentar os contatos, mudando a posição de desligado para ligado, e a câmera detecta que recebeu alimentação.

O relê 1 (RL1), faz a comutação da alimentação do acendedor de cigarros quando a bobina estiver energizada, mas quando a chave de ignição for desliga o relê fica na condição de espera, como é do tipo normalmente aberto (NA) aproveita-se para comutar para a tensão que vem direto da bateria através do estágio seguinte.

No outro estágio, R4 (120K) só carrega C3 (100 uF) quando a chave de ignição estiver acionada, que se descarrega através de R3 (33K), enquanto C3 é carregado RL2 não tem a bobina energizada através de Q2, e quando a carga estiver completa em C3, R3 polariza a base de Q2 e este por sua vez faz a bobina do RL2 movimentar os contatos, mudando a posição de desligado para ligado, invertendo a origem da alimentação.

Embora seja 12 volts a tensão de alimentação, é preciso levar em conta que os 12 volts que vem do acendedor de cigarros são controlados através da chave de ignição, já os 12 volts que vem direto da bateria não foi prevista no esquema uma chave para desligar, é proposital, cada usuário saberá se precisará desligar ou não uma chave para ligar e/ou desligar ou removerá a câmera.

Vou lembrar que R4 vai carregar C3, e através de R3 vai polarizar Q2 que energizará a bobina de RL2, e quando a chave de ignição for desligada a polarização cessa e a bobina do relê deixa de gerar o campo magnético e o relê volta para a condição de desligado, mas o contato sendo NA manterá a alimentação necessária para a câmera.

Além da praticidade, se o veículo ficar parado por um tempo mais longo, não haverá o risco da bobina do relê RL2 aquecer pois a ação principal de RL2 é quando está desligado, já RL1 tem a comutação automática e a bobina estará energizada enquanto a chave de ignição estiver acionada.

Num resumo simples e direto, os dois relês permanecem com as respectivas bobinas energizadas enquanto a chave de ignição estiver acionada, o que acontece na prática é que os relês trocam de estado quando a chave de ignição é acionada, e também trocam de estado quando o motor é desligado.

A capacidade de corrente depende apenas dos contatos do relê utilizados, no caso de correntes de até 1 ampère podem ser usados micro relê, para correntes maiores, escolha o relê para a capacidade de corrente exigida pelo dispositivo que vai ser alimentado.

Q1, Q2 = BC 548 (praticamente qualquer NPN de sinal serve).

D1, D2 = 1N4148.

C2 = 470 uF x 25 volts.

C1, C3 = 100 uF x 25 volts (determinam o tempo que leva para o relê energizar a bobina).

R2, R4 = 120K ohms x 1/8 de watt.

R1, R3 = 33K ohms x 1/8 watt.

RL1, RL2 = Relês de 12 volts do tipo normalmente aberto (NA) com 1 contato reversível.

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