Retransmissor de TV

Um transmissor de TV se divide em diversos blocos mas cada um com uma função específica, primeiro falarei sobre cada um destes blocos.

O booster é utilizado quando o transmissor é usado para retransmitir ou repetir um determinado canal.

O booster recebe este canal através de uma antena e converte a freqüência deste canal para uma freqüência intermediária que corresponde a uma faixa de freqüência entre 41 a 47 Mhz que amplifica este sinal e o entrega ao transmissor na entrada do amplificador de freqüência intermediária.

Quando é usado um booster sempre estará recebendo um canal e transformando em freqüência intermediária para entregar para o transmissor.

Normalmente o booster fica na torre, ou próximo a torre, mas isto não é uma regra.

Os estágios principais do booster: amplificador de entrada, mixer, oscilador e multiplicador e amplificador de freqüência intermediária.

A alimentação para o booster vai até ele pelo mesmo cabo que leva o sinal de freqüência intermediária para o transmissor.

O estágio final recebe a freqüência intermediária e envia tensão contínua para alimentar o booster.

O modulador de freqüência intermediária é utilizado quando desejamos entrar com áudio e vídeo no transmissor.

Como o transmissor não tem estas entradas usamos o modulador.

Este modulador cria um canal na freqüência de freqüência intermediária e modula as portadoras com áudio e vídeo.

A portadora de vídeo é modulada em amplitude e a portadora de áudio é modulada em freqüência, também teremos em sua saída uma sub-portadora, como em um todo canal de TV, modulada em AM, DSB, SC que carregará com ela as informações
das cores.

As principais partes de um modulador: amplificador de FI, modulador de vídeo, modulador de 4,5 Mhz, amplificador e pré-ênfase de áudio, filtro corretor de fase de vídeo.

O Amplificador de freqüência intermediária usa como sigla simplesmente FI, este bloco, geralmente é formado por 2 ou 3 estágios e tem a função de amplificar a freqüência intermediária de forma linear e permitir que o seu nível seja o suficiente para excitar o mixer.

É no amplificador de freqüência intermediária que fica o ajuste de potência do transmissor.

O amplificador de freqüência intermediária deve, além de amplificar, filtrar a freqüência intermediária de forma a termos um sinal limpo, ou seja, apenas as portadoras da freqüência do canal em sua saída.

Alguns amplificadores de freqüência intermediária usam como filtro um componente chamado de filtro SAW, comumente conhecido como filtro de ondas de superfície.

Embora este filtro tenha uma grande perda de inserção, ele filtra muito bem, mas atenua bastante o próprio sinal de freqüência intermediária, pela sua qualidade de filtragem justifica-se o seu uso.

Outros moduladores usam filtros LC ou RLC, baseados em capacitores, bobinas resistores e trimmers.

Geralmente o filtro está na entrada do amplificador de freqüência intermediária ou em seu estágio central.

Muitos equipamentos têm como nível padrão de saída do amplificador de freqüência intermediária, um nível de 0dBm que corresponde a 1mW ou, aproximadamente, 224mV sobre uma carga de 50 ohms.

O nível de saída é controlado através da polarização de diodos tipo PIN.

Estes diodos facilitam ou dificultam a passagem de RF por eles de acordo com a sua polarização e estão ligados diretamente como CAG.

CAG é o controle automático de ganho e é utilizado para manter a saída o amplificador de freqüência intermediária em um nível pré-definido, independente do nível de entrada deste mesmo amplificador.

Para termos uma idéia de como seria isto vamos supor o seguinte: a saída do amplificador de freqüência intermediária deve ser de 0dBm e na sua entrada o nível varia entre -20 dBm a -50 dBm, o ganho do amplificador será variado, pelo CAG, para que a saída sempre se mantenha em 0dBm.

Mixer é o estágio mistura ou faz o batimento, da freqüência de freqüência intermediária com a freqüência proveniente do oscilador local, deste batimento resultam 4 sinais diferentes:

– Canal de FI de 41 a 47 Mhz.
– Freqüência do oscilador.
– canal de freqüência intermediária somada com a freqüência do oscilador.
– canal de freqüência intermediária subtraída da freqüência do oscilador.

O sinal que nos interessa é o resultado da subtração da freqüência intermediária com a freqüência do oscilador.

Veja um exemplo:
Freqüência intermediária = 41 a 47 Mhz
OL = 101 Mhz

A subtração resultará na freqüência do canal 2 que é de 54 a 60 Mhz, lembre-se, estamos falando de TV.

Podemos perceber que no batimento ocorre a inversão do canal de freqüência intermediária.

A portadora de vídeo que tinha a freqüência de 45,75 Mhz agora tem a freqüência de 55,25 Mhz, pois 101 – 45,75 = 55,25 Mhz.

A portadora de áudio que tinha a freqüência de 41,25 Mhz agora tem a freqüência igual a 59,75 Mhz, pois 101 – 41,15 = 59,75 Mhz.

Antes: Pa = 41.25 Mhz e Pv = 45.75 Mhz primeiro o áudio, depois o vídeo.

Agora, depois do batimento, ficou: Pv = 55,25 Mhz e Pa = 59,75 Mhz e primeiro o vídeo e depois o áudio.

Pv = portadora de vídeo.
Pa = portadora de áudio.

A função do filtro de canal é deixar passar apenas a freqüência do canal que queremos transmitir, eliminado os outros produtos provenientes do batimento no mixer.

Normalmente este filtro é formado por linhas e indutores e tem um aspecto bem mecânico.

A quantidade de amplificadores de RF que teremos dependerá da potência final do transmissor.

Normalmente encontramos transmissores de 1 watt de potência, 10 watts, 50 Watts, 100 watts, 1 KW de potência, 10 KW, 15 KW e de até mais.

Antigamente a maioria dos transmissores de mais de 20 Watts eram todos valvulados, ou seja, o estágio final que fornecia a potência nominal de saída era construído utilizando-se válvulas.

Para se alimentar esta válvulas era preciso uma tensão relativamente alta, geralmente entre 1800 a 15000 volts.

Atualmente é possível se encontrar transmissores de 10KW totalmente transistorizados.

Podem estar sendo utilizados transistores bipolares ou mosfets de potência.

Geralmente a tensão que alimenta estes estágios é de 25 ou 50 volts contínuos.

A impedância de saída do transmissor é de 50 ohms e a antena, tanto quanto o cabo que interligam os dois, devem também ter esta impedância, pois só assim são conseguidas a máxima transferência de potência e a menor onda refletida possível.

Quando falamos em refletida estamos no referindo ao sinal que vai até a antena, mas não é transmitido e volta para a saída do transmissor.

Se esta porcentagem da potência for muito alta poderá danificar os estágios amplificadores, principalmente se forem transistorizados.

Alguns estágios amplificadores possuem em sua saída um filtro para evitar que qualquer outro sinal, além do canal, seja transmitido evitando assim interferências em terceiros.

Oscilador local e multiplicador é o estágio que gera a freqüência que, entrando em batimento no mixer, irá criar o canal desejado.

Variando-se a freqüência deste estágio variaremos o canal que estamos transmitindo.

Este bloco pode ser formado por diversos estágios: oscilador, segundo oscilador, multiplicador, multiplicador paramétrico, pll, filtro.

Geralmente a freqüência é criada através de um oscilador a cristal e tem que ser multiplicada até chegar um valor correto para o batimento.

Antigamente esta multiplicação era feita amplificando-se os harmônicos da freqüência fundamental, ou a própria freqüência do cristal.

Estes amplificadores ou, mais corretamente, multiplicadores, eram formados por transistores polarizados em classe C, ou seja, caso não houvesse sinal em suas bases não haveria consumo nenhum de corrente.

Este tipo de polarização é utilizado, pois facilita o aparecimento de harmônicos.

O filtro paramétrico é um filtro que separa o harmônico desejado e que tem com elementos principais, linhas, indutores, trimmers e um diodo varactor que permite, ao ser polarizado com uma freqüência, o surgimento de outros harmônicos.

Na saída do filtro paramétrico devemos ter apenas a freqüência que é a correta para o batimento e a criação do canal.

Mas porque não se usa cristais de valor mais alto ao invés de se ficar multiplicando ou amplificando os harmônicos?

Por que a construção de cristais com freqüência de oscilação acima de 100Mhz é um processo crítico e fica mais fácil se usar cristais de valores abaixo de 70 MHz e se multiplicar a sua freqüência fundamental de oscilação.

Hoje em dia através de circuitos com PLL e fácil de elaborar um oscilador de uma forma diferente e com muita precisão.

Para isto é construído um oscilador livre (sem cristal) na freqüência final da saída do oscilador.

Este oscilador livre pode ter sua freqüência ajustada através de uma tensão continua (VCO), e é o PLL quem compara a freqüência de um oscilador a cristal, que é muito preciso, com a freqüência do oscilador livre e gera uma tensão
continua para controlar e estabilizar a freqüência do oscilador livre no valor correto.

A fonte fornece uma tensão estabilizada para todos os módulos, geralmente os módulos de potência são alimentados por 25 ou 50 volts.

Podemos ter também outras tensões como +12 Vcc, -12Vcc, etc. Esta fonte pode ser fonte linear ou fonte chaveada.

A fonte de alta tensão é utilizada quanto temos um equipamento que utiliza uma ou mais válvulas em seus estágios amplificadores de saída.

Esta tensão normalmente é elevada através de um transformador, retificada por diodos que suportem alta tensão reversa, às vezes é necessário se colocar muitos diodos em série para suportar esta tensão, dividindo-a entre eles.

Depois de retificada ela é filtrada por um banco de capacitores que ficam dispostos de forma a suportarem esta tensão elevada.

A corrente que uma fonte desta fornece para, por exemplo, um equipamento de 100W de UHF, está entre 250 a 300mA.

Esta tensão, normalmente não é regulada ou estabilizada, e em um equipamento de 100W de UHF o valor desta tensão é próximo a 1800 volts.

Toda vez que for utilizada uma válvula teremos um filamento dentro dela que deverá ser aquecido, para isto temos uma fonte de filamento que irá fornecer uma tensão entre 4 a 12 volts mas com capacidade de fornecer uma corrente que
pode chegar a muitos àmperes.

Existem transmissores que possuem embutido dentro deles um modulador específico para o canal que será transmitido.

Desta forma na saída do modulador teremos a freqüência do canal e não a freqüência intermediária, este sinal será então, amplificado, filtrado e transmitido.

Um transmissor pode ter diversas funções:

– Quando ele transmite informações de uma emissora da própria cidade falamos que ele pertence a uma estação geradora.

– Quando ele recebe um sinal de um canal, através de um booster e converte este canal para outro canal e o retransmite para uma cidade na circunvizinhanças, falamos que ele tem a função de retransmissor.

– Quando ele recebe um canal via booster e só repete esta informação, mas em outra freqüência para outra estação, chamamos ele de repetidor.

Postagens relacionadas
  • Direcional Para 5.8 GHz
  • Teste de Módulos de RF
  • Módulos de RF 433 MHz
  • Celular Nos Confins
  • Bloqueadores de RF
  • As Ondas de Rádio
  • Posts mais acessados
  • Teste de Bateria (13874)
  • Antena Para Celular (11528)
  • Amplicador 60 W RMS (9276)
  • Os Gatos & Dúvidas (7838)
  • Ganhar na Loto Fácil? (5589)
  • Utilize a busca para encontrar o tema de seu interesse.
    Pense no meio ambiente antes de este link.   Dúvidas? Acesse o Fórum