Excesso de Corrente

Para tudo há uma lógica por mais que possa não parecer ou que seja invisível a olho nu, em todo caso, tudo é perceptível, de alguma forma.

O assunto desse texto é a corrente elétrica e vou dar como exemplo algo que é bem difícil de não ter acontecido próximo de você ou alguém ter lhe contado.

O cidadão entra no carro e dá partida no motor, o motor de arranque até gira, mas de forma lenta, como se estivesse pesado ou alguma coisa estivesse trancando e por isso não consegue fazer com que o motor do carro pegue.

Depois de algumas tentativas o cidadão desiste e chama alguém para resolver o problema, partimos do ponto que esse carro é provido de injeção eletrônica e que é recomendado que em nenhuma hipótese deve ser empurrado para pegar, ou seja, não pode fazer pegar no tranco.

Então um eletricista automotivo chega e começa a inspeção para descobrir porque o motor do carro não pega, partimos do princípio que a parte eletrônica da ignição está boa.

Pela experiência e pelo modelo do carro o eletricista já sabe qual o tipo de bateria tem no carro, ou que deveria ter.

Numa inspecionada visual nada é encontrado de anormal que justifique o problema, mas ao verificar as características da bateria já pode ser detectado o problema, às vezes até de forma visual sem nenhum instrumento.

Originalmente um carro pode vir com uma bateria de 12 volts com 64 ampères, uma bateria com essas especificações é exigida para dar partida no motor, mas por um motivo qualquer ela foi substituída por uma bateria de 12 volts com 36 ampères.

Existem carros que se não pegar na primeira tentativa não pega mais se tentar novamente, mas existem motores de arranque que são extremamente fortes para fazer dar partida em motores mais potentes por isso exigem corrente maiores e não tendo de onde tirar acabam girando mais lento e o motor do carro acaba por não pegar.

Na eletrônica de um modo geral se vê poucos problemas de falta de corrente, afinal, é bem difícil trocar um transformador por outro com as mesmas características, e se tiver que trocar, o técnico sabe que é preferível sobrar corrente do que faltar corrente.

Atualmente existem furadeiras, serras, aspiradores de pó e tantos outros tipos de equipamentos que funcionam com tensão contínua baseada no armazenamento em baterias recarregáveis.

Isso é um perigo tanto para os equipamentos quanto para os utilizadores, pois não raro existem os experimentadores e curiosos, que dispensam até a simples leitura do manual.

Em todo caso, é fácil de saber a tensão e o consumo de corrente para funcionar com eficiência e sem riscos, como exemplo, numa furadeira, uma bateria de 6 volts com 2 ampères vem de fábrica, em teoria posso usar um eliminador de baterias com as mesmas características.

Mas a tensão não pode ser maior do que 6 volts e a corrente não pode ser menor do que 2 ampères, senão o desempenho da furadeira será afetado.

Não é só dizer que ela funcionará a metade do tempo que funcionaria com 6 volts com 2 ampères, pois não havendo corrente a tensão caí proporcionalmente, mas quando é feito a medida de tensão na bateria ela vai mostrar 6 volts se não tiver nada ligado nela.

Com pouca ou nenhuma corrente armazenada na bateria, ao ligar a furadeira e medir a tensão com ela ligada, a tensão será muito menor do que a tensão nominal da bateria, proporcional a quantidade de corrente que existe na bateria.

Quanto mais corrente for exigida e menos tiver, maior será a queda de tensão da bateria.

Então, fontes alternativas sem as mesmas características da bateria original que vem no equipamento são desaconselhadas, pois se a corrente de um transformador for menor do que a corrente que a bateria pode fornecer o equipamento não vai funcionar corretamente, ou funcionará, mas irá durar pouco tempo.

Da mesma forma, muito cuidado com eliminadores de bateria ou fontes que tenham tensão de saída maior que 5% ou mais, mas que forneçam corrente menor do que a exigida pelo equipamento.

Ao ligar até funciona, mas ao solicitar corrente caí a tensão e o aparelho acaba sendo alimentado por “tensão muito ondulada”, quase tensão alternada e acaba por danificar o circuito que foi feito para trabalhar com corrente contínua.

Isso também faz lembrar que uma fonte mal retificada e filtrada pode causar problemas no funcionamento em qualquer aparelho.

Outro problema de falta de corrente pode ser o diâmetro dos fios envolvidos numa instalação, já reparou na grossura dos fios que saem da bateria de um carro e vão até o alternador?

Sabia que se os fios forem mais finos levam a tensão mas não a mesma quantidade de corrente que levaria os fios grossos?

Talvez nem fosse necessário esse texto para deixar claro que a falta de amperagem interfere no funcionamento de qualquer equipamento ou de qualquer circuito eletrônico, seja ele complexo ou não, mas se você leu até aqui, alguma utilidade teve.

Então pode haver outra dúvida: Se a falta de amperagem compromete o funcionamento de aparelhos e/ou circuitos, o excesso de amperagem não estraga os aparelhos e/ou circuitos?

A resposta é depende, pois se a tensão estiver de acordo com aquela projetada para o funcionamento normal, a quantidade de corrente armazenada na bateria ou a corrente fornecida por uma fonte pode ser de até 10 vezes ou mais do que a corrente necessária para o funcionamento normal de um equipamento, ele vai drenar somente a corrente necessária e sem risco de danos ao equipamento.

O mesmo não pode ser dito quando um equipamento é alimentado por tensão maior do que a recomendada, pois nesse caso, a tensão força a corrente a circular pelo circuito, não importando se o equipamento ou circuito suporta ou não, se não suportar, algum componente se estraga e o resto do equipamento ou circuito deixa de funcionar.

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